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Reflexões

A HISTORINHA DE NOSSAS Estórias...

A HISTORINHA DE NOSSAS Estórias...



Leia até ao final! Ou... seja um "crente": não leia e não goste! ___________________________________________________________ Alguém fica querendo saber como é ser salvo. Então lhe dizem que isto significa aceitar certas doutrinas, freqüentar um determinado lugar, e sustentar financeiramente os líderes do lugar e o lugar em si. Além disso, se diz que se espera que a pessoa se comporte de uma certa forma; de tal modo que, se possível, mesmo sendo olhada a distancia, a pessoa já seja identificada como crente. Pois, diz-se que assim, tanto ela se protege dos ataques do mal, quanto também já chega mostrando a "espada", e mostrando que veio para pelejar. Sem dúvida que parte importante da instrução é manter-se em constante estado de vigilância nervosa, sempre esperando um ataque súbito do Inimigo de Deus, um ser onipresente, quase onipotente, e malignamente semi-onisciente; sem falar que pode-se também ser perseguido por sermos diferentes, e por tentarmos fazer todos os outros se tornarem como nós. E a perseguição pode vir de fora, dos mundos dos homens; ou do alto e do invisível: dos dominadores do mundo, os espíritos do mal. Mas nunca de dentro do ser. Nesse processo, a pessoa começa meio aflita e muito grata por ter sido aceita, uma vez que ela própria aceitou. Depois ela passa a ficar muito angustiada com o pecado e o diabo. Então, surge o apavorado desejo de ficar forte e de ser alguém para Deus neste mundo. Uma pessoa importante de Deus na Terra. Que belo objetivo, nem sempre com a melhor motivação! Neste ponto há algumas avenidas para escolher fazer residência: a Rua do Fanatismo, a Avenida da Lei, o Beco Faz de Conta Que é, e a Praça Sou Melhor Que Todo Mundo. Então o indivíduo tem que escolher. A maioria fica Fanaticamente na Lei, dizendo que é Melhor Que Todo Mundo, enquanto nenhum deles perde a boca do Beco Faz de Conta que é. Então, conforme as preferências de cada um, e conforme o mover ou a necessidade, espera-se que a pessoa se dedique ao seu lugar, e que demonstre a verdade de sua fé pela conduta mais rigorosa. Sempre espelhando o modelo local de clonagem: o pastor, ou bispo, ou até apóstolo. Em outros lugares o modelo é alguém que fundou o grupo no passado. O nome de Jesus abençoa isso tudo! Na realidade o que se espera do homem, conforme a religião, é que ele seja melhor que todo mundo, conforme o critério de aferição da religião; e que seja um ativo participante no processo de impressionar até a Deus, mostrando que seu comportamento é melhor do que o de todos os homens, de qualquer lugar do planeta; e que nossa freqüência na casa de Deus, e nosso dinheiro entregue a Deus através de Seus Representantes Autorizados, bem demonstram o tamanho de nosso amor por Ele. Também se espera que ele, o crente, não importando em que avenida ele caminhe, seja, de qualquer modo, todos absolutamente iguais, e diferentes de todos os que são “diferentes”, os do mundo; e que também lute, com todas as forças, para que o seu grupo cresça, de tal modo que se possa obter poder de mudar a própria lei dos homens, de tal modo que todos sejam obrigados a se comportar como os crentes, pois somente eles se comportam segundo as leis de Deus. Em muitos outros crentes, todavia, surge o desejo de recuperar o sentido de ser crente original. Então eles se dedicam a estudar como eram os crentes de antigamente, como viveram, como se comportaram, o que disseram sobre Deus, e o que devemos aprender com eles. E, neste processo, dá-se algo muito interessante. Quanto mais antiga for a opinião da pessoa venerada, mais autoridade ela terá. E, também, quanto mais o tal santo puder demonstrar pela lógica ou pelos resultados a sua crença, mais certa sua fé será. Além disso, existem também aqueles poucos homens que tiveram papeis históricos importantes, e que, por essa razão, tudo o que disseram foi ficando cada vez mais divino, quanto mais velho e antigo foi se tornando. E como o crente, de modo estranhamente moral, está sempre se sentindo endividado com seu próprio passado, está sempre achando também que todo bem ficou em algum lugar no passado. Crente é ensinado a ter medo de Deus, a venerar os homens bíblicos, a adorar a Jesus, a escolher o seu santo apóstolo, a cultuar a Bíblia, a se conformar com a igreja, a odiar o mundo, e a aceitar que os pregadores são sempre a boca de Deus. Crente é aquele que é amado pelo seu bom comportamento num mundo que Deus odeia. Crente é aquele que pensa que se não fosse por ele o mundo já teria há muito acabado. Sim, crente crê que a igreja governaria muito bem o mundo, pois ele, o crente, é o melhor homem da terra, pelo menos é o único que sabe a verdade. Crente crê que a verdade pode ser sabida. Acredita que ela cabe numa doutrina. E que é validada pela História dos Crentes. Crente crê no Espírito Santo como sendo aquele que o arrepia na conversão, que pode ilumina-lo quando ele lê a Bíblia, e que sempre ilumina o pregador. E crê que na hora do culto, se todo mundo se concentrar e orar, o Espírito Santo atua. Se não se concentrar, Ele não atua. E, no mundo, Ele não faz nada, pois quem manda lá é o Diabo. Assim, crente crê que o Espírito Santo depende dele para agir no mundo. Então, transforma o arrepio em mandato divino, e vai às ruas exortando o mundo, dizendo que se arrependa, e que se torne como o Crente. Apesar disso, por um mecanismo completamente desconhecido, crente é também aquele que diz que a igreja governaria muito bem o mundo, enquanto, nela própria, o que reina é o desgoverno, o ódio, a inveja, a porfia, o disfarce, a intriga, o julgamento, a vaidade, as fogueiras de ego, o marketing, a auto-promoção, o testemunho como venda de superioridade espiritual, e, portanto, de ajuda financeira. Sem falar nas mais sórdidas manipulações, e nos interesses mais baixos, e nas intenções mais narcisistas que se possam conceber. Mas como eu disse, por um mecanismo completamente desconhecido, o crente acredita que isso só acontece na igreja por causa do diabo, mas que, governando o mundo, sem explicar o por quê, os crentes seriam bem melhores. Crente tem o dom de não se enxergar, enquanto diz que vê todo mundo, e sabe discernir tudo muito bem, é só ter uma oportunidade de mandar, e haver “outros” para obedecerem. Crente diz amar a verdade, mas não a suporta. Por isto ele prefere uma boa imagem de crente do que a verdade. Por isto também ele pune a verdade quando confessada, e não considera verdade tudo aquilo que não for nem confessado e nem flagrado. A verdade, para o crente, tem que ficar no lugar dela: presa na Bíblia. Assim, com o processo de amadurecimento, o crente acaba virando um grande malandro vestido de bobo! Enquanto isto, chocado, um grupo imenso assiste a si mesmo. Esses são os Lúcidos e Sensíveis. O drama deles é o seguinte: eles não sabem como ser quem gostariam de ser, e, ainda assim, serem crentes. E por que? É que para eles parece não haver modo possível de agradar a Deus e ser de Deus, se não for nos ambientes de uma das Concessionárias Autorizadas do divino na Terra. Eles odeiam isto, mas não conseguem se livrar. Então, eles ficam dizendo que estão cansados, que não agüentam mais, que tentaram tudo, que se esforçaram, que já não agüentam mais, que está insuportável, que é inconcebível, que é preciso fazer um Congresso, um Encontro, uma Conferência para debater o assunto, e, então, se escrever um Documento, um Protesto, uma Proposta, qualquer coisa, desde que se registre que eles não querem aquilo. Então, para poderem atingir a todos os que precisam ser atingidos, eles convidam todos os Representantes Autorizados—carentes de ajuda, pois estão loucos!—; e, também, a fim de dar Legitimidade ao Evento, eles nomeiam alguns Representantes Autorizados para falar—os mais educados!—; pois crêem que assim estarão respeitando a História, enquanto, dignamente, constroem com as próprias mãos o presente. Acabam aos beijos. Se abraçam. Voltam para casa. E tudo fica igual. E, assim, eles se renovam em suas esperanças... E, assim, é o caminho dos crentes como discípulos... Culpados seguem suas próprias culpas; aflitos pregam suas próprias aflições; gananciosos seguem suas próprias ambições; e, sem alma, seguem para salvar a alma do mundo. Desta forma nos contaria a nossa história, de um modo resumido, um observador de “fora”. É assim que a igreja é vista. No geral, é assim que ela é. Se eu não puder tirar a trave primeiro de meu olho, como poderei ajudar o meu irmão com seu pequeno cisco? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho; então poderás tirar o cisco do olho de teu irmão!—disse Aquele cujo nome é abusado, e cuja Verdade é insuportável. Caio