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Reflexões

A ESPERANÇA NA AMBIGUIDADE HUMANA

A ESPERANÇA NA AMBIGUIDADE HUMANA

 

 

 

 

 

A ESPERANÇA NA AMBIGUIDADE HUMANA

 

 

 

Para cada virtude humana corresponde uma desvirtude; e vice e versa...

 

O ‘vice e versa’ é porque a maioria das vezes a viagem da percepção encontra mais as desvirtudes humanas do que as virtudes.

 

Afinal, é bom lembrar que desvirtudes também podem se converter em virtudes.

 

Portanto...

 

Tanto faz se o “bom de bico” fala a verdade ou a mentira, no fim, dependendo de sua tendência, ele será “bom” em ambas as coisas.

 

Tanto faz se a pessoa é um ser generoso ou perdulário, pois, no fim, ela dará tudo o que tiver.

 

Tanto faz se ela é uma puta ou uma santa, no fim ele se dará por completo e a todos.

 

Tanto faz se ele é artístico ou apenas um estelionatário, pois, ao final, todos ficarão perplexos.

 

Tanto faz se ele lidera o mundo ou a cadeia, pois, de fato, onde estiver, todos os seguirão.

 

Tanto faz se ele tem fé ou é irresponsável, pois, no fim, ele terá ficado tranqüilo, independentemente dos resultados.

 

Tanto faz se a pessoa ama a verdade ou a mentira, pois, se praticar a qualquer uma das duas, será perseguido.

 

Portanto, se ele tem caráter, pode tornar-se também consistentemente mal. Se tem bom humor, pode também tornar-se cínico. Se tem o poder de convencer também tem o poder de seduzir. Se tem a habilidade de conduzir também possui a habilidade de manipular. Se for belo também pode tornar-se muito diabólico. Se for puro pode também tornar-se essencialmente sujo.

 

Sim! Virtudes e desvirtudes são apenas os desdobramentos de tendências no ser de cada um!

 

Uma mulher vem a Jesus cheia de homens como sombra sobre a sua alma buscante.

 

Chorou sobre Ele. Beijo-lhe os pés e os enxugou com seus próprios cabelos.

 

No fim Jesus disse que ela assim fizera porque assim como antes se dera equivocadamente aos homens em amor carente, agora, com a mesma avidez, entregava-se ao amor de Deus; e, por isto, porque ela muito amara muito lhe seria perdoado.

 

A mulher era a mesma. A capacidade de buscar o amor também. A avidez pelo encontro de amor era a mesma em sua alma. Mas, agora, o foco era outro, e, assim, a puta da cidade virou a santa do Evangelho.

 

Ora, é porque tal é a ambigüidade do homem que para ele existe sempre a possibilidade da conversão e da redenção.

 

É sempre olhando o ser humano desse modo que o Espírito de Deus persiste em Sua intenção de nos converter a quem nós fomos feitos para ser.

 

 

Caio

25 de dezembro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF