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Opinião

VOZES DO PASSADO: acerca da Revista Vinde

VOZES DO PASSADO: acerca da Revista Vinde

 

 

 

 

 

VOZES DO PASSADO: acerca da Revista Vinde

 

 

Olá Pastor Caio!


Estou enviando as perguntas, conforme combinado.


Qualquer dúvida, pode entrar em contato que eu esclareço.

Atenciosamente

G. V.



Sobre a revista Vinde/ Eclésia:


1) Como surgiu a revista VINDE?

 

Resposta:

 

Comecei a ter esse desejo em Manaus, em 1976. Mas, então, lançamos um jornal. O objetivo à época era evangelizar as pessoas na cidade, especialmente as que não gostavam de ir a um culto ou reunião. Anos passaram. Décadas. Então, no início dos anos 90, vendo que as circunstancias favoráveis, decidi fazer a revista, agora com outro perfil. Procurei a presidência do grupo Abril e propus a revista. Aceitaram o projeto. Seria via Editora Azul. Mas, na véspera de fechar com eles, o Sr. Domingo Alzugaray, da Editora Três, grupo que faz a “Isto É”, me procurou e me fez uma boa proposta. Comuniquei a Azul e fechei com a Três. A idéia era se fazer uma revista que tivesse o formato “secular”, mas cobrindo o “meio evangélico nacional e internacional”. Mas haveria de tudo. Muitas matérias. Poucos artigos. E até matérias investigativas. E assim foi.

 

2) Como era a estrutura organizacional da missão VINDE? Era uma empresa?

Resposta:

 

Como a de qualquer redação de um órgão de comunicação secular. O meu companheiro Jorge Antônio Barros tinha grande experiência no jornalismo secular, digamos desse modo. Além dele havia o Omar, que também vinha de vasta experiência. Frederico Mendes era fotógrafo de revistas de peso, como a National Geographic, e era membro de nosso quadro. Houve vários outros. Logo chegaram o Carlos Fernandes, o Marcelo Dutra, entre outros. Eu tracei o espírito da revista, e eles deram as carnes. E sempre tiveram total liberdade.

 


3) Porque ela foi vendida para a editora Bom Pastor e passou a se chamar Eclésia?


Resposta:

 

Foi vendida da Vinde para o Grupo Força Editorial. Eles é que a venderam para o Grupo Bom Pastor. O motivo da venda foi em razão do boicote dos anunciantes evangélicos, a maior parte deles editoras e livreiros, em razão do meu divórcio. Diziam que se o nome continuasse Vinde eles parariam de anunciar. Eu preferi vender. Os novos donos mudaram o nome para Eclésia.

 


4) Os funcionários e proprietários da Revista VINDE tinham vínculos com quais denominações religiosas? E atualmente, da Eclésia, o senhor tem conhecimento?

 

Resposta:

 

 

Denominação e coisas do gênero nunca tiveram importância alguma na Vinde, bem como na direção da revista. E os funcionários eram avaliados pela capacidade de entenderem o meio que cobriam, jornalisticamente; e pela competência profissional.


5) A revista está a algum tempo fora de circulação? Sabe por quê?

 

Resposta:

 

 

Não! Não sei. Não tenho qualquer contato, exceto, às vezes, com o Carlos Fernandes, mas esse não é nosso tema de e-mails.



6) Considerando as vertentes religiosas, a revista pode ser considera integrante do neopentecostalismo? Por quê?

 

 

Resposta:

 

 

Neopentecostalismo? Não! Jamais! Ao contrário. A Vinde foi a mais intensa denunciadora daquilo que o Neopentecostalismo estava fazendo e faria ao Brasil. E a Eclésia, segundo me consta, não se dês-converteu assim.



7) Quais as principais mudanças editoriais, gráficas e outras, que a revista sofreu depois da transição de Vinde para Eclésia?

 

Resposta:

 

 

Não acompanhei mais. Lia quando me mandavam, e que era em geral quando eles faziam alguma matéria comigo.

 



8) Como era formado o quadro de colaboradores da redação da VINDE, tinha algum jornalista graduado?

 

 

Resposta:

 

 

Creio que acima respondi essa questão. Mas além dos mencionei, havia também a Delis Ortiz.



9) Qual era a linha editorial da revista VINDE? Ela se manteve depois que passou a ser Eclésia?

 

Resposta:

 

Era livre. Tinha o formato de uma grande revista secular. A mídia secular lia a Vinde todos os meses. Era presença necessária nas redações dos jornais, revistas, e emissoras de televisão em todo o país. Naqueles anos de Vinde, muitos furos de reportagem da “grande mídia” foram fruto de matérias que a Vinde tinha publicado.



10) Existe algum posicionamento político-ideológico na revista?

 

 

Resposta:

 

Não! Nada do que fiz na vida teve comprometimento “político-ideológico” pré-estabelecido, e nem pós-estabelecido. Mas você falou “existe”. Ora, existia. 


11) Que relação os ex-editores mantém com a revista? Há alguma lógica na ocupação dos cargos de chefia, um rodízio, por exemplo? Os jornalistas que trabalham na revista são obrigatoriamente evangélicos?

 

Resposta:

 

 

Creio que todas essas questões já foram respondidas.




12) O senhor ainda tem algum vínculo com a editora Bom Pastor ou com a Revista Eclésia?

 

Resposta:

 

 

Nunca tive. Como disse, nunca tive tal vinculo, pois foi algo que aconteceu depois de eu ter vendido.


Sobre jornalismo e imprensa


1)                 Em sua opinião, existe jornalismo evangélico? Por quê?

 

Resposta:

 

 

Já cri que pudesse haver. Se você diz “evangélico”, creio que pode haver; pois, trata-se de um grupo imenso no Brasil, e é cheio de notícias e novidades. Mas se você diz Evangélico como sendo algo que tem a ver com o Evangelho, minha resposta é Não. Não creio que seja plano de Deus que se tenha uma revista com o propósito de divulgar as notícias de um “mercado”. Sim. Porque é isto que é. Hoje eu jamais faria a Revista Vinde. Não porque ela não tenha sido muito legal enquanto tenha durado. Mas é que creio que no Evangelho não há espaço para revistas investigativas. E as que não são, são um cabide de artigos chatos, ou meros meios de propaganda de grupos religiosos. Em ambos os casos estou fora. Além disso, no processo de fazer uma matéria investigativa tem-se que julgar muito as pessoas. Essa parte sempre me fez muito mal. Embora a Vinde tenha feito muitas matérias do gênero, e sempre tenha buscado isenção, no fim você sabe que Jesus não criaria uma revista investigativa. 



2) Na edição comemorativa, número 102 da Eclésia, consta uma citação sua dizendo "informar sem ferir os princípios cristãos" se referindo ao espírito da imprensa evangélica. Isso é possível?

 

Resposta:

 

 

Não! Esse era o espírito da Revista Vinde. Mas não creio que tenhamos conseguido isso sempre. Muitas vezes sim, pois só eu, o Jorge, o Omar e o Carlos, sabemos quantas coisas foram deixadas de fora por entendermos que entrava na vida privada das pessoas. Mas o que se fazia público, era divulgado. 


3) É possível apresentar um jornalismo independente, em um meio, como o evangélico, no qual a investigação e a denúncia contra pastores e igrejas são tidas como sinônimo de rebeldia?

Resposta:

 

 

Acho que é melhor que “os de fora” façam isto, nesse caso. Prefiro que meios seculares cumpram seu papel, pois, no meio cristão, tal espírito de descoberta acaba amesquinhando a alma. Piora. É melhor deixar que o que é público seja divulgado pelos meios próprios. Esta é hoje a minha opinião.

 


4) Como o senhor avalia a relação entre a mídia e os evangélicos no Brasil, hoje?

 

 

Resposta:

 

 

Os “Evangélicos” continuam a ser um dos pratos mais ricos para a mídia; pois, o que não falta é maluquice e devaneio entre eles; coisas essas que interessam a mídia em geral. Os “Evangélicos” não são levados a sério nem por eles mesmos, quanto mais pela mídia secular. A mídia acha tudo muito ridículo, mas muitos jornalistas temem ser acusados de “perseguição religiosa” se ‘abrirem’ certas questões. Na verdade muitos jornalistas têm medo dos “evangélicos”. Além disso, próximo a cada um deles, sempre tem um crente se queixando de perseguição. Você não imagina o que eu já vi de situações desse tipo.

 



5) Como a revista e os profissionais que atuam nela tratam as seguintes premissas do jornalismo: imparcialidade, independência e pluralidade de vozes?

 

Resposta:

 

 

Creio ter respondido de modo amplo cada um desses temas. Mas o que se buscava era imparcialidade, independência e pluralidade de vozes. E isso sempre se buscava. Afinal, sem esses pilares não há jornalismo. Mas uma coisa é desejar. Outra é conseguir sempre. Daí, hoje, eu não julgar que fosse uma boa fazer uma revista “cristã” de informação e investigação.