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Opinião

VAMOS FALAR DE SEXO: filme com Lian Neeson

VAMOS FALAR DE SEXO: filme com Lian Neeson



Acabo de ver o filme “Vamos Falar de Sexo”, com Lian Neeson, e que retrata a vida do Dr. Alfred Charles Kinsey (June 23, 1894 – August 25, 1956), que era professor de entomologia e zoologia. Em 1947 Kinsey fundou o Institute for Sex Research na Universidade de Indiana – Bloomington. Sua pesquisa em sexualidade humana influenciou social e culturalmente os valores acerca da sexualidade nos Estados Unidos, especialmente nos anos 60, quando suas idéias foram importantes na chamada “Sexual Revolution”. Ele morreu de fraqueza cardíaca e pneumonia em 25 de agosto de 1956. O filme é bem feito, bem editado, e tem boa fotografia. Mas é lento, e, por vezes, chato. No entanto, é psicologicamente importante, em razão de que revela como um homem criado sob o peso do Puritanismo Protestante, pôde ficar tão fixado (antitéticamente) no pólo oposto ao do pai; sendo, todavia, a repetição do próprio pai no nível de uma contraditória “ortodoxia-liberal”. Isto porque nada há mais próximo de um pólo psicológico do que o seu oposto. Passar de um lado para o outro só depende de uma pequena concessão. Ambos os pólos são inóspitos para a alma. Em sua obsessão por diminuir a ignorância perversa e moralista sobre sexo, Kinsey acaba por se tornar um ser profundamente adoecido; pondo-se ele mesmo numa enorme quantidade de “experiências práticas”, sexualmente falando; as quais, por vezes, envolveram a pratica de sexo e orgasmo em laboratório, não apenas tendo seus discípulos como praticantes, mas, por vezes, até mesmo as suas esposas. Na busca por pesquisar, Kinsey acaba por se revelar, e mostrar sua face extremamente semelhante a do próprio pai. Não é um filme inspirador, mas é revelador. E, além disso, revela como o caminho “politicamente correto” não tem o poder de pacificar a alma de nenhum ser libertino conforme as melhores etiquetas; e nem tampouco deixa de ser doença apenas porque se esconde sob as mascaras da pesquisa. Com isto, não me posiciono contra as pesquisas sobre sexualidade humana (Não! Não eu!), mas sim contra a tentativa de demonstrar que sexo é apenas atrito de órgãos genitais; posto que sexo não é alguma coisa, pois, num certo sentido, ele é também parte significativa do que se poderia chamar de “a coisa toda”. O filme é bom para revelar que nem o manto da ciência consegue dar isenção psicológica para a alma que parte para toda sorte de experiências sexuais, crente que o tema do interesse científico gera isenção na experiência, o que, de fato, jamais acontece; especialmente se a experiência se repetir com a mesma pessoa. Todavia, mesmo que não se repita o objeto da experiência, ainda assim, o acumulo delas sempre forma uma ‘pilha de camadas’ de natureza “paleonto-psicológico”, pois são os fosseis da alma que são expostos! Mas é bom que todo crente veja o que uma criação puritanamente tarada pode produzir numa alma humana; além de que vale ver a fim de que se discirna como nada há mais próximo da sensualidade do que o moralismo. Kinsey é um puritano às avessas na prática; porém idêntico na obsessão sexual do ponto de vista psicológico. É sempre assim: enquanto a Lei é escrita em Pedra na montanha, o povo se entrega à libertinagem. Esse é o padrão. E a própria Bíblia faz questão de dizer que mesmo o medo, o clangor de trombetas, o fogo, o terremoto, e todos os terrores inimagináveis, não são capazes de manter o povo equilibrado no pé da montanha enquanto a Lei é dada. Dois pólos: Lei no alto da Montanha, enquanto a Libertinagem corre solta, e até psicologicamente estimulada por medos e fobias. No alto do Horebe a Lei. No pé do Horebe a orgia. Kinsey que o diga! Caio