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Opinião

RICARDO BOECHAT: “Que mundo!”

RICARDO BOECHAT: “Que mundo!”

 

RICARDO BOECHAT: Que mundo!

 

 

Conheço o Ricardo Boechat [jornalista, anos a fio nas Organizações Globo, e hoje na Direção de Jornalismo do Grupo Bandeirantes] desde que eu e ele, mas eu que ele, éramos meninos em São Francisco, Niterói.

Ele era vizinho do Reverendo Antônio Elias, e, pela via do Cece e do Téo, filhos do pastor e meus amigos — vim a conhecer a família Boechat; especialmente em razão do “racha”, da “pelada”, da bola que rolava no campinho da casa deles. Programa certo no sábado e no domingo à tarde.

Adultos continuamos amigos. Nos anos 90 ele e eu ficamos outra vez bem mais próximos [por razões de amizade e também de profissão]; ele como jornalista e eu como uma figura com papel amplo na sociedade.

Durante o caso do Dossiê Cayman, antes de tudo acontecer, quando vi que estava sendo envolvido de modo perigoso, contei tudo ao Boechat, e o fiz minha testemunha como amigo e jornalista.

No calor das acusações contra mim no final de 1998 e inicio de 1999, ele, meu amigo Ricardo, botou a cara para fora e me defendeu com toda coragem, correndo o risco de ser muito mal interpretado em instancias muito superiores.

Tempos depois, sendo entrevistado pelo órgão oficial dos jornalistas, afirmou tudo outra vez, sem medo e sem equivoco, tudo o que antes testemunhara a meu respeito. [http://www.observatoriodaimprensa.com.br/atualiza/aspas/ent271020002.htm]

Portanto, não apenas porque ele, o Joelmir e a Ticiana são bem mais simples, agradáveis, práticos e livres que os demais apresentadores de telejornais, mas, também, porque prefiro receber notícias de quem eu conheça o caráter — assisto com minha mulher o Jornal da Band.

Hoje, no meio das noticias, houve uma matéria sobre Bullying [Bullying - Wikipédia, a enciclopédia livre]. Era uma coisa horrível. 30% das crianças do mundo se queixam de serem agredidas e mesmo espancadas ao ponto da hospitalização, por colegas de classe. E são meninos e meninas. Alguns brigando até bem... E como esta é a Era da Mídia Mais Que Imediata, via Internet, os meninos e meninas se gravam no celular e divulgam na Net — é o reino do exibicionismo em estado de crescente psicopatia individual e coletiva.

Terminou a matéria e vi o olhar meio perdido do Boechat... Ficou uns dois segundos meio contemplativo [em televisão é um intervalo]... Depois, saudoso e melancólico, disse com tristeza perplexa: “Que mundo!”

É! Que mundo!

Cada vez mais até os mais acostumados às noticias dirão: “Que mundo!”

Logo, logo todo jornalismo será assombração até para quem tiver que ler a noticia.

Amigo Boechat, nós, porém, aguardamos novo céu e nova terra, nos quais habite justiça.

 

Caio

23 de abril de 2009

Copacabana

RJ