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Opinião

POR QUE CHAMAM VOCÊ DE REVERENDO?

POR QUE CHAMAM VOCÊ DE REVERENDO?

 

 

 

 

 

POR QUE CHAMAM VOCÊ DE REVERENDO?

 

 

 

 

Alguém me perguntou por que eu deixo que pessoas me chamem de pastor ou de reverendo Caio. E me disse que não poderia ser assim por que na Graça todos têm apenas dons, não títulos.

 

Ora, eu agradeci o carinho, apesar da tentativa de me informar o que eu já nasci sabendo.

 

Aliás, mesmo no tempo em que servia TAMBÉM dentro do escopo da religião evangélica, embora me chamassem de pastor e reverendo (o último termo era comum apenas entre presbiterianos, luteranos, episcopais e metodistas) — nunca briguei contra porque nunca me fiz “pastor ou reverendo” de ninguém, mas apenas irmão.

 

Nunca chamei as pessoas de “minhas ovelhas”; e nunca disse que a mim era devida especial reverência que não fosse à da dignidade que um homem deve conceder ao outro.

 

Nunca dei a mão para ser beijada...

 

Nunca aceitei ninguém ajoelhado diante de mim... Sempre impus as mãos ordenando alguém, pondo-me eu mesmo de joelhos junto à pessoa.

 

Também nunca disse ou insinuei que minha posição era mais direta em relação a Deus. Ou seja: nunca aceitei o papel de sacerdote de meus irmãos.

 

E disso Deus, os anjos, os demônios e todos os poderes espirituais sabem.

 

Naquele tempo, todavia, eu assinava Pastor ou Reverendo.

 

Quando lancei o “Confissões de um Pastor” em 1996, na introdução do livro, eu, todavia, já dizia que estava dando descarga em tais dejetos em minha vida. Está lá. É ler e ver.

 

Hoje, digo, desde 1999, só assino Caio. Afinal, ficar liberto daquele esquemão todo, incluía tudo; inclusive deixar de ser um totem institucional-religioso, o que implicava no abandono de todas as caracterizações anteriores.     

 

Entretanto, não nasci exatamente ontem. E nesses muitos anos de jornada, já vi praticamente tudo, inclusive radicais que lutavam contra toda e qualquer nomenclatura, esquecidos que o fenômeno humano, desde o Gênesis, é intrinsecamente nomeador de entes e criaturas.

 

ASSIM, o que ensino é que Pedro é Pedro, não Apóstolo Pedro. E também ensino que Paulo é apóstolo, mas não é Apóstolo Paulo. Afinal, apóstolo era o chamado, não um título a preceder seus nomes.

 

Eu, pela Graça, recebi muitos dons. Mas tais dons não são títulos. Entre outras coisas sou pastor. Só que no meio onde servi a maior parte do tempo, “pastor” era título de todo aquele que era ordenado pela igreja para cuidar dela “em tempo integral”.

 

Portanto, não sou o Pastor Caio, mas apenas Caio, o pastor. E assim é com qualquer outro dom que eu exerça segundo a Graça. Porém, para muitos, pelo habito de anos a fio, me chamar de Pastor ou de Reverendo tornou-se algo indissociável em relação a mim.

 

História é o nome disso.

 

Eu, todavia, não me trato assim; e, talvez por tal razão, muita gente se sinta a vontade para assim me chamar, justamente pela minha total tranqüilidade em relação ao tema.

 

NINGUÉM que conviva comigo ficará preocupado em me chamar disso ou daquilo. Normalmente me chamarão pelo meu nome apenas.

 

NINGUÉM tem que me chamar de reverendo (todos sabem isso de sobra). Mas todos têm que me tratar com a reverencia com a qual eu trato a todos.

 

NINGUÉM tem que me chamar de pastor. Mas quem me ama e me ouve, assim me vê; e, eu, que sou pastor também, respondo a esse amor e confiança com cuidados de natureza pastoral.

 

ASSIM é no Caminho da Graça!

 

 

Nele, que é nosso Único Pastor, Mestre e Digno de toda-reverência em adoração,

 

 

 

Caio

 

 

06/06/07

 

Lago Norte

Brasília

 

Hoje faz sete anos que Adriana e eu estamos juntos.