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A Mente de Paulo

O SEU MELHOR ESTÁ NO SEU PIOR...

O SEU MELHOR ESTÁ NO SEU PIOR...



A grande maravilha é como o Deus de toda Graça toma aquilo que em nós é bem e bom, e que está sendo mal usado; e, por Seu amor, transforma em bem-bem; isto para quem deseja enxergar.

Paulo é um bom exemplo disso!

Ele é estratégico, a ponto de guardar as roupas dos que a Estevão apedrejavam.

Ele é educado, a ponto de se avantajar aos demais de sua idade, em sua geração.

Ele é articulado e confiável, a ponto de obter cartas de recomendação das autoridades judaicas para prender os do Caminho, que viviam em Damasco.

Ele obstinado e invergável em seus objetivos, a ponto de perseguir os do Caminho, até mesmo fazendo-os blasfemar.

Ele é móvel e independente em seu existir, a ponto de não ter se contentado em perseguir os do Caminho que viviam apenas em Israel; indo, portanto, buscá-los em Damasco, na Síria.

Ele é zeloso, a ponto de se ofender com a fé dos do Caminho como quem se ofende de uma blasfêmia dita contra Deus.

Ele sonha com a purificação da fé de seus pais, por esta razão persegue a pior ameaça que a sua tradição já sofrera: a chegada dos do Caminho.

Ora, ele é alcançado pelo amor de Deus ‘no caminho’ para uma ‘terra de gentios’; crê por si mesmo, e com independência vai meditar nos desertos da Arábia; sinceramente mergulha nas Escrituras que conhecia desde a infância e nelas encontra explicitado aquilo que ‘no caminho’ o próprio Jesus já lhe revelara; e, sendo livre, segue seu caminho, não voltando nem mesmo à Jerusalém ou aos apóstolos; e, sendo móvel... prossegue para os confins da terra, como verdadeiro hebreu desinstalado; e como era zeloso da lei, tornou-se amante da Graça; e tendo sido perseguidor, soube agüentar perseguições; e sendo obstinado, não se intimidou; e sendo cheio de sonhos, sonhou e viveu seu sonho de amor por Cristo.

Um homem encontrado na mobilidade do caminho para fora de sua própria fronteira, e que carregava a ousadia de ir além, sendo implacável em seus objetivos, torna-se o escravo do amor de Deus; e, em si mesmo, vê todas as energias anteriores se converterem em paixão amorosa pelo mundo; e não teme viver exilado de seu povo em razão de ter sido o primeiro apostolo a tratar o mundo como sua paróquia.

Nós somos quem nós somos, para o bem ou para o mal.

Sim, antes de bem e mal serem escolhas em nós, feitas por nós, nós mesmos somos.

Sim, somos anteriores, existencialmente, ao bem e ao mal...

Há um ‘eu’ em mim que pode amar e se satisfazer com a vontade de Deus. No entanto, seu fluxo de energia ‘passa’ pelo ‘pecado que habita em mim’. E é aí que os ‘dois caminhos’ estão... na encruzilhada do coração.

O mesmo homem... As mesmas marcas de personalidade... A mesma essência... Dois produtos completamente diferentes...

“Pendor”... é uma palavra que em Paulo tem um grande significado existencial, conforme Romanos 8.

A essência está lá... O resto é pendor... Sim, para onde penderemos...

Dentro de nós, todos os dias, temos luzes que nos visitam...

O caminho para Damasco acontece no chão do coração...

Mas... nem sempre nos submetemos à luz que nos encandeia no caminho... e, assim, seguimos com os olhos cobertos de escamas.

Paulo nos deixa ver como não há nada que um dia tenha sido usado para o mal... em nós... que não possa se transformar em virtude... conforme a Graça.

Paulo era o mesmo...

A luz é que determinou o novo pendor...

E tais revelações mais comumente acontecem no caminho... onde a vida acontece.

Quem recebeu a revelação de Cristo não conhece mais o caminho do retorno...

Quem antes odiava por zelo de Deus... agora ama com paixão a todos os homens... e sabe que o ódio é que é a blasfêmia.


Olhe bem o seu lixo... pois nele está o seu tesouro...


Nele, em Quem tudo vira tesouro,



Caio


19/03/2005