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Opinião

O RELÓGIO DO JUIZO FINAL SE MOVEU...

O RELÓGIO DO JUIZO FINAL SE MOVEU...

 

 

 

 

 

 

 

Depois que os americanos jogaram duas bombas atômicas sobre o Japão, pondo um fim à guerra no Pacifico em 1945, um grupo preocupado com o significado destrutivo daquele aparato de morte, decidiu criar “O Relógio do Juízo Final”.

 

O “relógio” não existe como artefato, sendo apenas um medidor estatístico de perigos e ameaças reais ao nosso planeta.

 

Esta semana os aspectos climáticos que ora se impõem sobre a Terra como conseqüência do chamado Efeito Estufa, e o Furo na Camada de Ozônio, foram incluídos, finalmente, entre as maiores ameaças à Humanidade.

 

O “relógio” foi mexido outra vez esta semana!

 

Ora, esta é a quarta vez, desde o final da Guerra Fria, que o ponteiro do relógio avança, passando de 11: 53 para 11:55, em meio aos temores do que os cientistas chamam de uma "segunda era nuclear", desencadeados pelos impasses entre o Ocidente e o Irã e a Coréia do Norte. Além disso, há o risco do Efeito Estufa, conforme afirmei acima.

 

"Os perigos da mudança climática são quase tão graves quanto os das armas nucleares", diz a organização Boletim de Cientistas Atômicos.

 

Fundada em 1945 como uma publicação distribuída entre físicos nucleares preocupados com o risco de um holocausto nuclear, a organização cresceu para focalizar as ameaças criadas pelo homem para a sobrevivência da Humanidade.

 

"Como cientistas, compreendemos os perigos das armas nucleares e seus efeitos devastadores, e estamos aprendendo como as atividades e tecnologias da humanidade afetam o clima de formas que podem mudar a Terra para sempre", disse o físico Stephen Hawking. Ele também declarou que o aquecimento global representa uma ameaça ainda maior que o terrorismo.

 

O Relógio do Juízo Final, que nos últimos 60 anos acompanha as idas e vindas da tensão nuclear, agora passará a seguir a temperatura mundial, disse o editor do boletim, Mark Strauss. Mas a ameaça de conflito nuclear continuará a ser a principal preocupação do grupo.

 

Para mim, todavia, o que os cientistas ainda vacilam em admitir é que os efeitos no clima, são muito mais letais que qualquer outro efeito e ameaça por eles indicado como tendo poder de destruir a Humanidade!

 

E por que digo isto?

 

É simples: os demais perigos, como uma guerra nuclear e o terrorismo atômico, podem levar a Humanidade a uma guerra de proporções devastadoras e completamente apocalípticas. Entretanto, os elementos relacionados ao clima, não nos vêm como ataques de guerra, mas como o resultado daquilo que os humanos chamam de benção e conforto; coisas como petróleo, gasolina, geladeiras, cidades, energia elétrica; e que são oriundas de elementos poluentes como o petróleo. Isso sem falarmos nas queimadas de florestas... — para muitos amparada em fortes razões econômicas. 

 

Desse modo, fica muito mais fácil ver negociações políticas controlarem possíveis deflagrações de uma guerra nuclear, do que vermos os mesmos políticos pararem a corrida pelo ouro oleoso do petróleo.

 

Portanto, os aspectos do problema da hecatombe climática, em muito excedem os demais perigos; pois, trata-se de algo que corre aceleradamente, sistematicamente, e de modo silencioso, sem explosões e sem histerias nacionalistas.

 

Por isto eu creio que em no máximo cinco anos os cientistas estarão apavorados é com o Clima da Terra, mas do que com as armas nucleares.

 

A Humanidade possui (e já faz meio século) os meios para patrocinar a sua própria auto-extinção. Entretanto, controlar botões atômicos é uma decisão que, se por um lado demanda muito juízo (bom senso) por parte dos líderes do mundo, de outro lado, é algo muito mais fácil de parar.

 

Como, todavia, parar o mundo em razão das ameaças à Terra criadas pelos meios de produção de toda a Humanidade?

 

Num tempo em que Bushanás invade o Iraque a fim de controlar, entre outras coisas, o Petróleo, o que dizer de seu significado?

 

Sim! O que dizer do poder que o petróleo tem tido, ao ponto de dar significado e importância a desertos estéreis, como as “terras ricas” do mundo árabe ? E mais — de fazer com que aqui ao nosso lado, um cara como Hugo Chaves (que se não fosse um traficante de influencias políticas, provavelmente seria um traficante de outra coisa) se assente como o grande líder da América Latina, exclusivamente pelo poder energético que uma “coisinha” de país como a Venezuela possui — pergunto: tais fatos nos dizem o quê acerca do significado do petróleo para os interesses humanos?

 

Sim! Bushanás é o grande comprador de petróleo, viciado nele, e que é capaz de invadir os países menores em poder na escala das medições politicamente corretas (como acontece a todo o mundo mulçumano na avaliação do Ocidente, como foi o caso do Iraque), em razão do “pó-molhado”, e que move as máquinas da Terra!

 

Já Hugo Chaves de Cadeia, é o traficante desse produto na América Latina, e, em razão disso, angaria o poder que em suas mãos cresce, e que o faz declarar, como um Fidel moderno (e que não tem apenas uma ilha cheia de cana de açúcar e charuto, mas sim muito petróleo), que ele é o novo líder da América Latina, re-inventor do Novo Socialismo.

 

Ora, somente num mundo dependente de petróleo como o nosso, um falastrão como Chaves teria o poder que ele hoje detém.

 

Assim, o que o vejo não é uma ação de “dês-poder” dos detentores do petróleo, mas, ao contrário, um cenário no qual os países detentores dessa fonte de energia altamente poluente, ganham mais e mais poder político, além do econômico — exceto se não conseguirem manter a linha de negociação e obediência, como Saddam.

 

Hugo, por seu turno, aposta no poder do “politicamente correto”, pois, de fato, ele não acredita numa ação americana na América Latina apenas em razão de que aqui, neste continente “cristão”, católico, e muito mais alinhado com os hábitos ocidentais, seria muito feio e inexplicável, pelo menos por hora, qualquer ação de natureza despótica ou invasora.

 

Mas, até quando?

 

Assim, creio que o Relógio do Juízo Final sofrerá dramáticas alterações nos próximos cinco anos, não apenas em razão da ameaça nuclear hoje patrocinada pela Coréia do Norte e pelo Irã; e não apenas por causa da ameaça do terrorismo atômico, mas, sobretudo, em razão dos elementos relacionados ao meio-ambiente.

 

De acordo com o Relógio do Juízo Final, agora seriam cinco para a meia noite. Meia-noite seria a Hora H. Ou melhor, a Hora F. Sim, hora “F”, de Final.

 

Entretanto, o que vale é lembrar, conforme tenho insistentemente dito, e já faz tempo, que o perigo climático é muito maior, posto que pode nos trazer suas conseqüências ainda que, e, sobretudo, se estivermos em paz na Terra.

 

Ou seja — se brigarmos, nos mataremos; e se tivermos “paz e segurança” políticos, nossa paz nos levará tranquilamente para o lugar de nossa sepultura ambiental.

Esta é a Terra. Este o mundo. Estes somos nós!

 

Nele, que nos disse que se não nos convertêssemos ao Criador, assim seria, e por nossas próprias mãos,

 

Caio

18/01/07

Lago Norte

Brasília