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Opinião

O LULA DAS CAUSAS NUCLEARES...

O LULA DAS CAUSAS NUCLEARES...

 

O LULA DAS CAUSAS NUCLEARES...

 

Sem dúvida o Presidente Lula é um dos homens com maior capacidade auto-didática de orelha [quase sem leitura que não seja informe prático e sintético] que eu já conheci.

Ele é sem dúvida dotado de grande inteligência criativa e de muita certeza acerca dela.

Entretanto, segundo o Lula um dia me disse, foi a eleição perdida contra o Collor de Melo o elemento pivotal na sua compreensão também de seu complexo de inferioridade; pois, quando o Collor o acusou [na 1ª eleição que Lula disputou] de ter desejado que a mãe de sua 1ª filha fizesse um aborto, segundo ele, caiu sobre sua cabeça um peso esmagador, que, para mim, ao ouvir, me pareceu algo semelhante à dor que sentem quase todos os paladinos de origem pobre, e que são acusados pela elite de terem tido um comportamento indigno.

Do Collor para frente o Lula decidiu que nenhum aristocrata o intimidaria nunca mais; e viveu para buscar e propor tal enfrentamento; logicamente com o intervalo marqueteiro do Lulinha Paz e Amor da Campanha da qual saiu vitorioso.

Em todas as nossas conversas ele sempre me deixava certo de duas ambições: 1ª – resolver o problema da fome no Brasil e botar o país para crescer no mundo; 2ª – apresentar ao mundo um líder brasileiro estadista e que tivesse algo a dizer ao Planeta.

O tempo que o Lula teve de militância marginal em relação ao sistema político dominante, deu a ele, todavia, tanto o tempo como o crescente prestígio quanto a ser reconhecido por estadistas de linha libertária [os bons e o maus] como um possível e capaz protagonista mundial, caso viesse a ser eleito.

Algumas vezes o ouvi dizer coisas como: “Se o Mandela conseguiu, eu consigo também”.

Era impossível ao Lula, sempre que se encontrava com tais figuras mundiais, não perceber que entre eles nenhum era mais rápido, esperto e criativo do que ele.

Durante todos aqueles anos de “espera”, Lula conversou em eventos os mais diversos [...] com as figuras mais controversas da Terra [ou conheceu representantes]; do Arafat ao Kadaf, do Fidel aos grupos de “libertação” na America Latina [do antigo “Sendero” às Farc de hoje], do Jesse Jackson ao Mandela, de grupos como o “Solidariedade” Polonês, aos grupos árabes mais à esquerda do próprio sistema Islâmico.

Sempre vi o Lula admirado que os outros, com tão menos inteligência, tivessem ido tão longe...

Claro que ele não dizia isso, assim, desse jeito; mas nunca me deixou com dúvida quanto ao fato que ele sabia de sua inteligência criativa extraordinária.

Vi, todavia, que ele carregava uma implicância com a America do Norte e com a Europa. Disse a ele muitas vezes que também sofrera daquele mal, mas que, com o tempo, vi que se tinha muito a aprender em ambos os mundos. Sugeri, ainda em 1991, que ele fosse passar um ano nos States aprendendo inglês e buscando entender a História e a Cultura Política dos Estados Unidos. Disse-lhe o mesmo acerca de Israel, país em relação ao qual eu via que ele carregava no mínimo grandes reservas de desconfiança, em razão do amigo/companheiro Arafat.

Convidei-o a ir a Israel comigo; pois, cria que se ele fosse eleito presidente ainda tomado pelo nível de informação superficial e parcial que demonstrava possuir sobre a história dos conflitos no Oriente - Médio, sua tendência seria frisar o tema no patamar ideológico viciado, e, assim, praticar uma política externa semi-terrorista.

Eu jamais tive dúvida de que o Lula Presidente levaria o Brasil para o cenário, no mínimo, das discussões internacionais. Sim, pois ele nunca insinuou diferente; ao contrário, sempre declarou que era um absurdo o Brasil não aparecer para o mundo todo; e então fazia alguma comparação tirada da experiência de algum companheiro internacional, na década de 90 o Mandela era “o cara”...

Quando o Lula diz “nunca antes na história desse país” é ridículo em relação a quase tudo... Porém, se há uma área na qual a expressão é verdadeira na sua boca, é quando ele fala de política internacional; pois, de fato, nunca antes na história desse país, o Brasil foi o acontecimento mundial do significado Político-Econômico que hoje ele representa no cenário mundial.

E tudo estava indo muito bem...

Era o Novo Brasil; um país aberto e democrático; aceso economicamente; construindo solidez no mercado interno; com a inflação controlada; e, agora, com um presidente falante, simples, direto e capaz de chamar a atenção pela falta de compromisso com etiquetas...

Isto sem falar muito no fato que o Lula se tornou o maior vendedor do Brasil que o Brasil jamais antes possuíra...

Então começaram as ambições e vaidades planetárias...

Tenho certeza de que quando o Lula encontrou o Bush, pensou: “Se essa anta pode..., eu posso muito mais!...”

Quando encontrou o Obama, deve ter pensado: “Esse escoteiro não se criaria no Brasil nem no ABC”.

Porém, foi quando o Obama disse que ele, Lula, era “o cara”, que, então, daquele dia para cá o Lula surtou!...

Sim, sendo ele o cara da Terra no momento, pensou: “Serei quem sou resolvendo as crises da Terra com meu papo insuperável e com minhas negociações com os companheiros irreconciliáveis!”

Foram sucessivas manifestações...

Surge cada dia mais fortemente o Lula desaforado com a America do Norte e Canadá, presunçoso em relação à Europa, líder incontestável das Republicas de Ressentimento da America Latina; certo de saber pacificar o Oriente - Médio, a capaz de pensar que o Presidente do Irã se curvará à lábia malandra do abcnordestino do Lula da Terra...

Agora Lula diz até mesmo o que ele sonha para o Irã!...

Sim, sonha com uma parceria nuclear com o atual maior vilão nuclear do Planeta!

Assim, o Lula que quase sempre em nossos almoços pedia frango à cubana, com muita banana e fritas, agora fez do seu cardápio uma salada de material atômico, com pimenta da Venezuela e cordeiro envenenado pelo ódio dos radicais islâmicos...

Creio que em termos internacionais o Lula está agora vivendo a mesma intensidade de emoção salvadora que o acometeu nos tempos da Ditadura...

E, até de modo inconsciente, a tese dele é sempre a mesma: abraçar a causa mais complicada a fim de resolver ou morrer; mas, de qualquer modo, entrar para a História.

Sim, pois quem diz “nunca antes e mim”, diz também: “Sem mim não haverá História”.

Este é o atual surto do nosso Presidente Lula da Terra, o cara, o messias brasileiro.

Se ele persistir, essa História não será boa para ele, e, com toda certeza, nem para nós...

 

Caio

7 de março de 2010

Lago Norte

Brasília

DF