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A Mente de Paulo

LEITURA EXISTENCIAL DE II TIMÓTEO 2: 14-26

LEITURA EXISTENCIAL DE II TIMÓTEO 2: 14-26




Na segunda Carta a Timóteo está dito que se deve evitar contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes. O mesmo se recomenda em relação a falatórios inúteis e profanos, pois a prática deles acaba por corromper cada vez mais profundamente o ser. Isto porque trata-se de uma linguagem que corrói como o câncer.

Ouve-se isto e se pergunta: Que veneno é esse?

Ora, essa coisa toda, que é tão perigosa, e que precisa ser evitada para o bem das nossas almas, é todo tipo de falatório inútil e maldoso, que se crie seja pela inveja, seja pela calúnia, seja pela falsidade, seja pelo aproveitamento da situação. Todos fazem grande mal psicológico à alma. Sim, ocupar a alma com conversa corrosiva é como beber veneno. Os resultados são inevitáveis. Todavia, o ápice disso é a discussão teológica acerca do eixo da esperança da fé: a ressurreição de Jesus (II Tim 2: 14-18). Nada faz mais mal à alma do que brincar de exumar a esperança da ressurreição.

É aí que mora a essencialidade!

É a partir desse fundamento existencial que as importâncias se decidem. É nessa linha que a Grande Casa está dividida, com vasos para honra e outros para desonra. É aqui que reside a ética essencial, pois quem assim crê se aparta da injustiça. Manter-se firme no fundamento existencial da ressurreição é o que nos torna utensílio para honra, santificado para o nosso possuidor. Carregar esse conteúdo em si mesmo é estar possuído pela palavra da verdade, por isso não se tem do que se envergonhar.

É esse o fundamento existencial que também nos livra da escravidão das paixões paralisantes. Ao contrário, ele nos remete para o prazer naquilo que é justo, que edifica a fé, o amor e a paz. Além disso, gera-se uma afinidade natural com todos os que andam no mesmo caminho.

É ele também o fundamento de nosso bom senso filosófico. Isto porque é por ele que julgamos o que vale e o que não vale, assim evitando falatórios inúteis e que só engendram contendas.

Tratar tais coisas de modo a perceber seu poder corruptor é fundamental. Isto porque os que as praticam e a elas se entregam, acabam por se corromper no coração, visto que vivem de disputas mentais que só acontecem se o coração parar de amar. Em amor ninguém vive para o que é inútil para a alma.

O maravilhoso é que aquele que evita e foge de perder-se nessa peçonha da arrogância que discute, e que busca se impor por palavras, e que apenas promove a corrupção daquele que peleja nessa arena de poder, tanto quanto corrompe também os que assistem—esse, o que evita tais coisas, acaba por se tornar o obreiro aprovado, o vaso para honra; aquele que está firme no fundamento da esperança, e que anda em mansidão ativa, e que termina por conseguir levar os que o ouvem à sensatez.

Todo aquele que tem esse Fundamento sabe fazer a diferença entre o que é essencial e o que não é.

Esta é uma leitura existencial de II Tim 2: 14-26.


Caio

01/11/2004