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A Mente de Paulo

GEMIDOS DE DOR E SUSPIROS DE ESPERANÇA

GEMIDOS DE DOR E SUSPIROS DE ESPERANÇA

Como já disse, todos nós sabemos que o tesouro de Deus habita nos vasos de barro de nossa presente condição humana. No entanto, também já afirmei a vocês que até mesmo o processo de enfraquecimento de nossos corpos e as constatações de nossa própria relatividade, contribuem para a expansão do poder de Deus, conforme nossa consciência, em fé, acerca do modo como a Graça de Deus opera em nós neste mundo caído.

Por isso é que sabemos que os “vasos de barro” podem até se esboroar, mas o Oleiro é poderoso para o refazer para a Sua própria Glória.

Além de vasos fracos, porém habitados por grande tesouro, somos também peregrinos, o faz com que no tempo presente caminhemos como quem “arma tendas”, sempre mudando e conhecendo novos chãos da vida, coerentemente como o fato de que habitamos um “tabernáculo perecível”.

Nossa “casa terrestre”—ou seja: este nosso tabernáculo contingencial—, pode até mesmo se desfizer e se desgastar com o tempo e com as lutas da existência presente. Nós, no entanto, sabemos que temos de Deus um Edifício que nos aguarda, uma Casa não feita por mãos humanas e nem presa às contingências do tempo; porém, eterna, nos céus.

Caminhamos no deserto. Vivemos os desconfortos das desestabilidades da existência. Mas tudo isto é passageiro. Afinal, todos nós somos peregrinos sobre a terra.

Habitando este “tabernáculo temporário”, todos nós gememos, desejando muito ser revestidos da nossa Habitação Definitiva e Plenificada, que é do Céu.

Ora, isto tudo será nosso se formos vestidos com a justiça que vem de Cristo, e que é a única vestimenta que não se desgasta durante o tempo dessa travessia no deserto.

Nenhum de nós tem que se enganar. Todos nós sabemos como é doída essa travessia pelo deserto da terra!

Por isso é que nós gememos oprimidos enquanto vivemos neste “tabernáculo” temporário. Isto não porque queiramos ser “despidos” do que já é nosso, e que também nos cobre o ser com esperança e justiça, mas sim porque almejamos ardentemente ser revestidos com o que pleno, para que a presente condição mortal seja absorvida pela Vida que é.

Ora, foi Deus quem preparou tudo isto para nós. E para que não desfalecêssemos no caminho da peregrinação, Ele mesmo nos deu o penhor do Espírito Santo como segurança da Promessa que nos foi feita e garantida.

Assim, habitados pelo Espírito em nossa presente fraqueza, temos a certeza de que a jornada será completada por nós, se andarmos pela fé em Cristo.

Por isso é que temos sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos presentes neste corpo terrestre—preso às contingências da Queda, do tempo e do espaço—, estamos sensorialmente “ausentes” do Senhor. Por isso é que andamos por fé, e não pelo que vemos.

Mas enquanto estivermos vivendo as limitações do que não é permanente, temos que ter sempre bom ânimo, mesmo que permanentemente desejemos a libertação deste corpo mortal, para que possamos estar “presentes” em plenitude com o Senhor.

Esta é também a razão de nos esforçarmos tanto para sermos agradáveis a Deus, não importa se ainda presos as contingências do tempo ou se à caminho de sermos completamente absorvidos por Ele e por aquilo que Ele nos preparou como Definitivo.

Há também algo, meus irmãos, que desejo que todos nós fiquemos sabendo.

Ninguém deixará de ser levado perante o Tribunal de Cristo, pois é necessário que todos nós sejamos manifestos na plena consciência da verdade, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.

Esta é a razão de estarmos sempre buscando persuadir os homens acerca do que é bom—e também de como viver com Graça a vida no presente corpo de morte.

A experiência de existir neste corpo mortal é o que nos dá a chance de, pela fraqueza, ficarmos conhecendo a nós mesmos.
Deus nos conhece.

Nós é precisamos nos conhecer a nós mesmos.

Sei que tenho sido “manifesto” diante de Deus no que sou, e não temo minha auto-revelação justamente porque conheço o temor do Senhor.

Quanto mais eu me “manifestar” agora, na Graça, menos terei que ser “manifesto” depois, perante o Tribunal de Cristo.

O Tribunal de Cristo “manifestará” tudo aquilo que pela presunção da auto-justificação, nós não assumirmos como verdade e como necessidade da Graça de Deus em nós, no Dia Chamado Hoje.

Dizendo isto não estou “recomendando” a mim mesmo como referência para ninguém. O que faço é tentar dar ocasião a vocês de verem como uma “vida aberta” e sem “aparências”—mas que se veste da justiça que vem da fé—é de fato a única realidade que dignamente nos veste aos olhos de Deus.

Assim é que me exponho e me desvisto de minhas próprias justiças, a fim de que vocês tenham ocasião de se gloriar na verdade, e também para que vocês tenham “resposta” para dar àqueles que se gloriam na aparência, e não no coração.

Alguns acham que estou louco. Mas se enlouquecemos, é para Deus que e por Deus que enlouquecemos. E se conservamos o juízo, é para vocês que o fazemos.

E talvez alguém me pergunte: Por que isto?

Ora, é que o amor de Cristo nos constrange!

Afinal, nossa lógica existencial é simples, e é dela que vem a fonte de nosso amor. Porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram!

Ora, Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos e nem para as aparências do auto-engano, mas sim para Aquele que por eles morreu e ressuscitou, a fim de propiciar-lhes uma existência sem medo e na verdade.

Essa é a razão de não andarmos nos jactando nos feitos da carne e nem nas aparências enganosas de pseudo-virtudes.

De fato, as impressões da carne e suas seduções de auto-justificação, e seus virtuosismos, já não nos dizem nada.

Ora, até mesmo a Jesus não conhecemos mais segundo a carne. Houve um tempo em que eu assim o conheci—como um personagem histórico ou uma informação—, mas esse já há muito tempo não é o caso. E se um dia assim conheci a Cristo, já não o conheço desse modo.

É somente essa experiência de conhecer a Jesus em fé, no Espírito, e em nosso próprio espírito, aquilo que de fato faz nascer em nós uma nova criação existencial.

Por isso é que se alguém está em Cristo, é nova criatura. Por essa mesma razão é que se pode ter certeza de que as coisas velhas e antigas já passaram, porque, em Cristo, tudo se fez e se faz novo.

E quanto a isto não há nenhuma virtude nossa em operação.
Afinal, todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo e em Cristo.

A maravilha é que além de nos reconciliar com Ele mesmo em Cristo, Deus ainda nos confiou o ministério da reconciliação.
Assim, não somos apenas reconciliados, porém portadores da Boa Nova que diz que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões!

Sim, por Sua Graça Ele nos deu o privilégio de anunciarmos a Palavra da Reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós falasse com todos os homens e os convidasse para receber, conscientemente e em fé, todos os benefícios da Cruz de Cristo e de Sua Ressurreição em favor de todos, especialmente dos que crêem.

Por isto é que imploramos que vocês se reconciliem com Deus por meio de Cristo. E quando assim falo, não pretendo fazer com que vocês pensem que o conhecimento histórico da Vida de Jesus seja o que salva. O que de fato desejo é que vocês se apropriem, com pela confiança, de algo muito mais profundo. E esta verdade é simples, porém, uma vez crida, nos dá a garantia de que nossa vida está definitivamente reconciliada com Deus.

Então, que todos saibam a Palavra da Verdade que Liberta:

Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus!

Quem assim crê, mesmo que conhecendo as fraquezas e dores do tempo presente, poderá até gemer de ansiedade pelo que é Definitivo. Mas jamais o fará com medo e desanimo. Afinal, para tal pessoa, os sofrimentos e contingências do tempo presente—com todas as suas relatividades—, não são para comparar com a eterna glória que está reservada e garantida para todo aquele que crê.

Nele,


Caio
Em afinidade de fé com o irmão Paulo

Escrito em: 01/10/2003