Português | English

Opinião

ENTREVISTA SOBRE DIVÓRCIO - Jornal “A Palavra”

ENTREVISTA SOBRE DIVÓRCIO - Jornal “A Palavra”

 

----- Original Message -----

From: ENTREVISTA SOBRE DIVÓRCIO - Jornal “A Palavra”

To: contato@caiofabio.com.br

Sent: Friday, December 08, 2006 12:34 PM

Subject: ENTREVISTA SOBRE DIVÓRCIO - Jornal “A Palavra”

 

1. O senhor me disse que há 30 anos já discutia sobre esse assunto. Qual é o seu entendimento sobre o divórcio?

Resposta:

Em 1978, quando se discutia se o divórcio seria ou não instituído no Brasil, eu tinha 23 anos, já era pastor, e servia em Manaus.

Como já fazia três anos que tinha um programa na tevê, e como pregava em todos os lugares na cidade, eu era figura carimbada em todos os debates que havia. Por isso me chamaram, juntamente com o Presidente da OAB local, o Arcebispo, o bispo, e todos os líderes católicos, a fim de debatermos o tema do Divórcio.

Foram horas de debate ao vivo, na Rede Amazônica de Televisão.

E tentaram me trucidar.

Razão?

Eu dizia que o divorcio era um remédio amargo que só se deveria ministrar se fosse para salvar o paciente.

Mas eles preferiam ver o paciente morrer casado.

O casamento como instituição era maior que a vida. Era uma reedição do “Sábado maior do que o homem” — coisa essa que Jesus enfrentou.

Divórcio é sempre divórcio.

Separa! Quebra! Entretanto, o divórcio como decisão física, e depois, legal; só divorcia os que espiritual, psicológica e realmente já estejam divorciados.

Há muitos casais que jamais se divorciarão objetiva e legalmente, embora vivam divorciados de seus cônjuges legais a vida toda.

Sou a favor de que todo aquele que nunca conseguiu se casar com o cônjuge, se divorcie; caso isto lhe faça mal, e crie na pessoa as doenças do desvalor.
E sou a favor de que todos os que já foram casados e são casados, não se divorciem — não sem fazerem de tudo para salvar o casamento, no caso de crises.
Pois onde um dia houve amor, aí o amor pode sempre se renovar.
Porém, onde nunca houve aquele amor gostado e desejado, que é o amor entre homem e mulher — mas, ao contrário, só existe tristeza, amargura, maus tratos, indiferença, agressões, traições, covardia, silêncio, falta de intimidade, manipulação, e opressão — então, em tais casos, sou a favor de que se divorciem. Posto que já vivem como divorciados.

Era isso que pensava aos 23 anos de idade, e é isso que penso até hoje.

E mais: Ninguém que se tenha divorciado durante todos aqueles anos pode dizer que encontrou em mim outro espírito que não fosse esse.

E quantos pastores que se divorciaram e foram escorraçados por todos, mas encontraram guarida e proteção em mim durante todos aqueles anos!? Deus sabe. Eles também lembram.

2. Como analisa a situação do divórcio entre os evangélicos?

Resposta:

A situação é patética. São fariseus. Preferem ter pastores que se prostituem e ninguém fique sabendo, do que terem gente honesta e verdadeira, e que confesse que há algo sem cura em seus casamentos, e que, por tal razão, preferem a verdade à farsa.

Para os evangélicos em geral é tranqüilo conviverem com ladrões e canalhas; com expropriadores do povo; com pervertedores do Evangelho; com inventores de males; com difamadores e invejosos; com tarados que se escondem atrás do legalismo; com fariseus amantes mais do Sábado do que da vida humana, etc. — mas não conseguem tratar o divorcio de duas pessoas infelizes como algo humano, ainda que doído para os dois e para os filhos (quando eles existem no casamento).

Sim! Bem à moda dos fariseus eles preferem coar o mosquito e engolir o camelo.

3. Como foi sua experiência na separação? Há quanto tempo é casado?

Resposta:

Como foi? Foi um inferno.

Primeiro porque tendo conversado com a mãe de meus filhos e tendo obtido bom entendimento dela, ingenuamente não esperei que ela viesse a despencar na dor que a tomou. Ingenuidade minha.
Segundo porque julguei que por mais trágica que fosse a situação, muitos, não todos, entenderiam que eu não estava brincando; e que se estava fazendo aquilo é porque havia razões muito fortes.


Depois porque os “líderes da maldade”, e que se viam impedidos de fazer suas loucuras totais pelo fato de que o meu cajado caía em suas cabeças, e o povo entendia o que eu dizia — desejavam ardentemente me ter morto ou fora de combate para sempre.


Daí todos eles, até os que eram inimigos entre si (como Malafaia X Estevam Hernandes; Estevam X Jabes Alencar; Rodovalho X os outros; César Augusto X Rodovalho; etc.) uniram-se para me atacar na televisão, nos púlpitos, etc. Isso sem falar nos “amigos de Jó” que diziam me amar, mas que nunca me procuraram, não hesitando, entretanto, quanto a me declararem morto para a história; e, sem pudor, como se eu tivesse sido extinto, declaram-me um ser fantasma; e houve até os que se reuniram formalmente para “repartir os despojos” de minha vida e ministério.

O tal “legado do Caio”. “Quem fica com o quê?” — era a questão.

Outro dia vi a filha do Estevam e da Sonia Hernandes na televisão falando sobre o absurdo do decreto de prisão expedido contra os pais dela.
Depois de glorificar a mãe como pôde, e de declará-la Santa Sonia dos Milagres, disse que o “Apóstolo também era bom” (falava do pai dela). E acrescentou: “Ele foi o primeiro homem, apóstolo, a reconhecer o divórcio; segurando a maior onda, quando aceitou o divórcio do bispo “G”. Quem teve essa coragem antes?”
Eu, cá comigo, pensava: “Engraçado, quando me divorciei eles, ambos, Estevam e Sonia, foram à televisão e ao radio me atacar como puderam... Por quê? Se são assim tão abertos?”
Ora, a resposta é simples: É que o “G” é “biscúmplice” deles; e eu não fui, não sou e jamais serei. Assim, quando interessa, eles matam a mãe a fim de fazer valer o interesse deles. Mas quando não, eles matam a pessoa bem matadamente.

Ora, é a fixação evangélica no sexo como tabu e perversidade do diabo, o que crie esse monte de casamentos infelizes.

Os jovens casam para transar. A transa é regulamentada. Não pode isso, aquilo, aquilo outro. Tudo com aparência de piedade, mas sem qualquer valor contra a sensualidade.

E como divorcio geralmente implica em novo casamento (quando a pessoa se separa e diz que vai ficar celibatária, nada acontece), então, haverá um novo cônjuge, um novo prazer, uma tentativa nova de felicidade.
E como isso envolve uma outra experiência sexual, o divorcio seguido de novo casamento é demonizado como estado de pecado.

Ora, isso faz do divorcio seguido de novo casamento algo semelhante ao pecado contra o Espírito Santo para eles.

Agora há a linha daqueles que acham que se um pastor se divorciar jamais poderá ser pastor outra vez, pois não tem mais autoridade para pregar o Evangelho; e isso mesmo que o povo todo o respeite.

Portanto, como vejo a situação?

Vejo com tristeza por uns; e com asco por outros.

É patético! Não há verdade! Não há justiça e nem amor!

Um dia eles terão que se explicar diante de Deus.

Divorcio, entretanto, é uma concessão, não um mandamento; e só deve se recorrer a ele quando a permanência no casamento é pior do que a formalização da separação.

Pois, como pensava aos 23 anos, ainda penso hoje; e julgo que divorcio só divorcia os que já se divorciaram no coração. E o que não for sinceridade do coração serve a Deus? Pode-se ser insincero no casamento e sincero nas demais coisas?

Quem não é fiel no pouco do casamento, não amando a quem declara amar ou deve amar, poderá ser fiel em que mais?

Por que o chamado é para a verdade e a sinceridade em tudo, menos no casamento?

O casamento recebeu de Deus a concessão para ser o lugar do abuso, da infelicidade, da dor, e da infidelidade afetiva e emocional?

Jesus continua dizendo que o homem é maior que o Sábado; e, portanto, é maior que a Lei e que o Casamento como equivalente à lei do Sábado. Mas divorcio não é brincadeira.

Há muita gente casando já pensando em si divorciar. Especialmente entre os casam apenas para transar, como acontece muito no meio chamado evangélico.

Nesse meio o casamento é o “Green Card” para o paraíso do sexo regulamentado pela igreja.

Você perguntou também há quanto tempo sou casado. Estou casado pela segunda vez vai fazer sete anos em poucos meses.

Nesse período já ouvi de tudo.

De gente dizendo que estava com raiva de mim porque não tinha a coragem de fazer o que fiz, até gente que disse que eu tinha que ser afastado, porque, se não, haveria a “moda do divórcio”.

Falo de líderes de grande “respeitabilidade cristã”.

Deus pode santificar a quem quiser, mas se os líderes não quiserem, tal pessoa continuará a ser coisa “comum e imunda”. Nessas horas, Deus é um detalhe; e o amor é mais raro que kriptonita vermelha.

Só pra concluir com o que você não me perguntou. Aqui em Brasília, no Caminho da Graça, nos últimos dois anos, devo ter sido procurado por uns 40 casais desejando separarem-se. Apenas quatro se divorciaram, e porque a situação era indigna e, portanto, insustentável.

Os demais estão juntos, e cada dia melhor e mais sarados.

Mas tem gente que deseja me fazer o pastor do divórcio.

Não! Eu sou o pastor da reconciliação.

Afinal, eu amo a paz; para mim e para todos.

Caio Fábio 10/12/06