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Opinião

ENTREVISTA: NINGUÉM QUE CONHEÇA A DEUS FICA

ENTREVISTA: NINGUÉM QUE CONHEÇA A DEUS FICA "EVANGÉLICO"



Estas são as perguntas para a matéria: 1 - Depois de tanto tempo sob a mira dos holofotes e sempre cercado pela mídia, como é viver longe da curiosidade da imprensa secular? Resposta: É muito bom. Na realidade, depois de uns dois anos, eu já não agüentava mais tanta mídia. Passei os anos seguintes escolhendo para quem falaria, visto que a demanda era muito maior do que caberia no meu dia. A mídia toma muito tempo, e, além disso, é insaciável, tanto quando gosta de você (como parecia ser o caso da minha relação com os jornalistas até 98), como também é insaciável quando se trata de tentar “pegar” você. Eu não tinha muita privacidade desde sempre. Mas na década de 90 ficou insuportável. Sinceramente, estou feliz com essa quietude. Já tive mídia por muitas vidas, e, honestamente, não sinto falta. 2- Como tem sido o seu dia-a-dia nesses últimos anos? Resposta: Em 99, na Florida, deprimido. Por isso, mergulhado no mar, na natureza e ao ar livre. Em 2000, de volta ao Rio, deprimido, e triste. Por isso, praia o dia todo. Sol e luz. Nesse meio tempo escrevi dois livros: Nephilim e Tábuas de Eva. De junho de 2000 em diante, entrei em processo de alívio e alegria, apesar de todas as dores. Eu havia encontrado Adriana. De julho de 2001 a julho de 2002, me adaptando de novo à Copacabana. Então, escrevi o Enigma da Graça e o Sem Barganha com Deus (não publicado ainda) e comecei o Café com Graça. Em 2003 iniciei o site, e, por conta disso, escrevi mais do que em toda a minha vida. Passei horas e horas escrevendo, todos os dias. Sobretudo respondendo as pessoas. De 2002 em diante também voltei a atender muita gente para aconselhar. Quando conheci Adriana, em 2000, voltei a pregar. De 2002 em diante começaram a vir muitos convites para pregar. Todos os dias. Mas eu decidi não ficar mais aceitando tais convites. Dei prioridade ao site, ao Café com Graça e à Catedral do Rio nas pregações. Além disso, fui muito ao Recife pregar na Catedral Episcopal da Santíssima Trindade. Em 2004, julho, iniciamos em Brasília o Caminho da Graça. Desde então minha prioridade tem sido o Caminho e o site. Isso tudo demanda horas de trabalho. Hoje também temos dois programas na televisão em Brasília, e, toda semana, gravo para ambos. 3- Tem algum projeto de livro novo? Resposta: Tenho, novo, não publicado, o Sem Barganha com Deus. Além disso, estou pensando em publicar o material do site. Há livros e livros no site. Cada link ali dá alguns bons livros em seu conteúdo. Pretendo publicar esse material. No mais, há tantos livros em minha mente... Mas tenho que ter tempo para escreve-los... 4- Qual tem sido a sua atividade nas igrejas evangélicas? Tem sido convidado para pregar? Resposta: Convites aos borbotões. Todos os dias. Eu é que não tenho mais nenhuma energia para alimentar a doença evangélica. Minha contribuição aos evangélicos hoje é não aceitar pregar para eles, nas igrejas, pois, caso eu o faça, como antes, dou a impressão de que está tudo bem, e não está. Assim, meu protesto é não aceitar. Nego-me a fazer parte de qualquer que seja o esquema de validação da cultura e da religião evangélica. Fazer isso é aumentar o engano das pessoas! 5- Como está o projeto do Café com Graça? Resposta: Os irmãos continuam a se reunir com alguns pastores amigos. Mas como minha prioridade é o Caminho, em Brasília, tenho ido ao Café apenas uma vez por mês. 6- Recentemente, o senhor passou por um momento difícil com a perda do seu filho Lukas. Em algum momento, sentiu a sua fé abalar? Resposta: Não! Só senti minha fé crescer, e, o amor de Deus em mim se dilatar! 7- O meio evangélico está cheio de movimentos inovadores. Teologia da prosperidade, igrejas que valorizam revelações, presenças de anjos, etc. Qual é a sua opinião diante do surgimento dessas igrejas que prometem milagres e prosperidade financeira? Resposta: Minha opinião está dada em dezenas de livros meus e no meu site. Acho tudo um circo. Acho patético. Sinto pena. Hoje já nem vergonha sinto, de tão desligado que me considero disso tudo. Assistir aos evangélicos é a coisa mais depressiva que pode acontecer para alguém que ame e conheça o Evangelho e sua mensagem. É uma grande falsificação. Os evangélicos ainda vão comer seu próprio bolo fecal... Aliás, já começaram a comer! 8- O que está faltando no meio evangélico? Por que ser evangélico hoje em dia virou modismo e alvo de desconfiança de quem não faz parte da igreja? Resposta: Falta conversão. Conversão dos pastores e líderes; e, também, em menor escala, do povo. Mas o fato é que a doença evangélica não tem cura. Sou protestante identificado com os evangélicos desde que nasci. Só vejo a doença aumentar. Evangélico quer saber de Deus para os outros, não para si mesmo; e o Deus que o evangélico quer para si mesmo é apenas aquele Grande Gerente de Negócios e aquele que dá uma força ao evangélico, mesmo que seja para a canalhice grassar em nome de Deus. A maioria dos evangélicos que eu conheço, diz acreditar em Deus e em Jesus. Mas conheço poucos que conheçam a Deus para si mesmos, como poder interior e transformador. Infelizmente a coisa toda varia entre o circo e o negócio. E os que não estão dentro do espectro desses dois pólos, estão tão engessados na religião e nas médias evangélicas de moral, doutrinas, e tradições..., que por completo se perderam. É tudo uma grande pena! 9- Existe um relacionamento ideal com Deus? Resposta: Claro! O único possível, em espírito e em verdade. O resto é invenção. Deus não costuma freqüentar culto evangélico. Ele sente vergonha e tristeza. Ele sabe que para os “evangélicos” Deus é “evangélico”; e Deus sofre com essa blasfêmia. O conhecimento de Deus jamais produziria um “evangélico típico”. Quem conhece a Deus não fica “evangélico”. Simplesmente não dá. Obviamente que aqui trato “evangélico” como essa cultura prevalente que açambarcou o nome, a terminologia, a nomenclatura,e, também, designou o estereótipo e a caricatura do que seja “um evangélico”. 10 - Existe um projeto a realizar? Resposta: Sim! Ficar aberto para Deus sempre... Quero apenas ser guiado. Mas não tenho nada a realizar. Já realizei muito. Hoje não tenho essa pretensão. Quero apenas ser realizado no projeto de Deus. Só isso!