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A Mente de Paulo

DIVIDIDOS ENTRE CONSAGRAÇÕES!

DIVIDIDOS ENTRE CONSAGRAÇÕES!

 

 

 

 

 

 

DIVIDIDOS ENTRE CONSAGRAÇÕES!

 

 

 

Acho, pois, que é bom, por causa da instante necessidade, que a pessoa fique como está. Estás ligado a mulher? não procures separação. Estás livre de mulher? não procures casamento. Mas, se te casares, não pecaste; e, se a virgem se casar, não pecou. Todavia estes padecerão tribulação na carne e eu quisera poupar-vos. Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; pelo que, doravante, os que têm mulher sejam como se não a tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa. Pois quero que estejais livres de cuidado. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor, mas quem é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a sua mulher, e está dividido. A mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor para serem santas, tanto no corpo como no espírito; a casada, porém, cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido. E digo isto para proveito vosso; não para vos enredar, mas para o que é decente, e a fim de poderdes dedicar-vos ao Senhor sem distração alguma.

 

 

Paulo disse que aquele que deseja se consagrar inteiramente ao Senhor, não pode casar, nem ter filhos, ou apegos afetivos de tal ordem visceral.

 

Ele disse isso quando aconselhava a igreja em Corinto acerca do tema do casamento (Cap. 7).

 

Apaixonado por família e filhos desde antes de ser gente e de pensar em casar, a leitura dessa afirmação de Paulo me causava certo constrangimento.

 

Sim! Porque Paulo diz que aquele que casa está dividido; e afirma que este, agora, tem que servir às coisas do mundo e também as do Senhor!

 

Assim, amando Paulo em tudo, nessas questões eu o achava um solteirão falando do que não entendia.

 

Na realidade demorou até que eu percebesse emocionalmente o grau apocalíptico do que Paulo dizia. Afinal, ele vivia sob Roma, sob Cézares, e, entre eles, viveu seu apogeu apostólico sob figuras como Nero e Calígula. Ora, quem poderia viver naqueles dias tão loucos e maus e não pensar que a humanidade teria alcançado o seu próprio fim?

 

Eu sempre soube disso pelo texto e pela história, porém, não tinha a carga emocional de tal percepção; posto que essa só aconteça quando se vive ou viveu o sentimento como impossibilidade vinculada aos impedimentos gerados pelos vínculos de amor.

 

Além disso, a experiência mostra que para o nível de chamado radical e visceral que o Evangelho propunha segundo Paulo, nada poderia impedir o avanço da divulgação da Palavra no mundo; e, portanto, aquele que, à semelhança do apóstolo, desejasse dedicação livre e ilimitada à pregação e ao cuidado de pessoas; especialmente no contexto de uma pregação móvel e interina, não poderia carregar na alma as angustias das separações e das incertezas de reencontros que o ministério, no dias de Paulo, tanto pelas circunstancias como também em razão das distancias e meios de transporte, oferecia aos que a ele se dedicavam inteiramente.

 

Eu, por exemplo, sou um homem divido entre a família e o ministério da Palavra como paixão e consciência de necessidade dela no mundo!

 

De fato vivi rasgado e correndo de um lado para o outro, sempre me sentindo em falta em todas as direções.

 

Hoje, com os filhos todos emancipados de tudo, exceto nas emoções, ainda assim não existe tal espaço para a “consagração integral” em minha vida, pois, além das preocupações naturais com os filhos, existem os netos, e, com eles, a renovação de compromissos, de cuidados, e atenções também.

 

Ontem Adriana e eu falávamos sobre como seria bom se, daqui a um tempo, havendo meios e recursos, nós pudéssemos todos os anos passar três meses em algum lugar da Terra no qual pudéssemos ser úteis na pregação da Palavra; especialmente em lugares difíceis e hostis, nos quais nossa ajuda e dons fossem raros e, portanto, significativos — isso dentro e fora do país, mas especialmente fora, em outras terras.

 

Então, aqui, o que penso ainda é parcial, é um tempo, é algo como férias diferentes com a importância de coisas essenciais. Mas não é nada quando comparada à mobilidade de Paulo e seus companheiros; os quais, hoje aqui estavam, porém, amanhã, poderia ser que já não estivessem; fosse isso em razão de um apelo de outras bandas, fosse por causa de perseguições, ou, ainda, fosse porque o Espírito abrira uma grande porta à Palavra em algum outro lugar.

 

A tristeza é que os que um dia tiveram a vontade de consagração total ao Senhor, em geral foram e são o que decidem viver em ausência do mundo, distantes da vida, e sem a paixão da pregação a todos os homens lhes movendo o coração.

 

Eu, todavia, creio que está para chegar a hora na qual todos entenderão as palavras de Paulo, quando disse que até mesmo os casados fossem como se casados não fossem, pois, os dias serão maus, muito maus.

 

Leia I Corintios 7 com esse contexto no olhar e você entenderá o que antes não compreendia emocionalmente.

 

Pense nisso!

 

 

Caio

 

06/02/08

Lago Norte

Brasília

DF