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Opinião

DEIXA QUE EU CHUTO A TERRA!

DEIXA QUE EU CHUTO A TERRA!


 


Quem me tem lido ultimamente, já pôde perceber quão aflita anda minha alma pelo futuro da Terra e dos humanos.

 

Mas por quê?

 

Você não crê em “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”? — você indaga. Meu entendimento do Evangelho afirma o fato de que o Senhor quer nos ver lutando contra toda tragédia, a fim de que nos diga: “Bem-vindo! Quando te encontrei estavas lutando o bom combate!” “Bem-aventurado aquele servo a quem o seu Senhor, quando voltar, o encontrar fazendo assim!” — disse Jesus.

 

Os “crentes”, porém, pensam que quanto pior, melhor; sem lembrarem que o Filho do Homem voltará e condenará os que se esconderam de seu semelhante, conforme Mateus 25.

 

Quem quer que seja discípulo de Jesus, além de viver o bem do Evangelho em si mesmo, também deve pregar com palavras, atitudes, sentimentos, ações, gestos, pequenos e grandes movimentos; e, sobretudo, com sua majestosa ‘mera existência’.

 

Ora, se é assim; e se o sal tem que de dissolver na terra, e o fermento tem de levadar as medidas de farinha; e se também importa que seja pregado “este Evangelho do reino” antes que venha o fim; então, todo aquele que crê, precisa pensar, sobretudo, acerca de que aptidões Deus lhe deu; e, dedicar-se buscando excelência no que faz; seja em que área for; porém, muito especialmente, naquelas que ensejarem ações de transformação de algumas coisas essenciais ao planeta. E tudo isto como culto a Deus na vida. Além de uma profunda consciência do espírito do Evangelho, conforme a Graça.

 

Será maravilhoso se aparecerem milhares de ambientalistas e engenheiros de meio ambiente que sejam discípulos do Evangelho. Será lindo se muitos e muitos discípulos dedicarem suas existências ao desenvolvimento de formas de energias não poluentes. Será de “dar muitas graças a Deus” se muitos se dispuserem a lutar juntos com “o anjo que tem um Evangelho eterno para pregar”, o qual, voando pelo meio do céu, diz: “Temei a Deus, e dai-lhe glória; a ele que fez o céu, a terra, o mar, e as fontes das águas” — pois água será um dos maiores problemas dos próximos anos.

 

A entrada de raios de intensidade bem maior, em razão da desproteção crescente causado pelo enfraquecimento de nossa atmosfera, em razão do perfuramento da Camada de Ozônio, fará com que haja grandes surtos de câncer de pele; “ulceras malignas”, na linguagem apocalíptica.

 

Ora, há muito mais do que tudo isto acontecendo — que de tão obvio já nem necessita mais ser enumerado... e precisa ser parado logo, antes que seja irreversível...—, porém, tem-se ainda que lembrar pelo menos do Grande Sistema de Controle que já está montado na terra.

 

Bill Gates já até comprou uma pancada de satélites Russos, antigos ou com pouco uso, a fim de entrar na guerra pela mais fascinante brincadeira da Internet, que é o Google Earth, por cujo meio, ainda não em ‘tempo-real’, porém com atualizações freqüentes, você, de sua casa, de seu computador, pode viajar pelo mundo inteiro, via satélite, localizando o que você desejar localizar, qualquer prédio, endereço, beco, esquina, etc...

 

Lindo e agradável. Porém, como todas as invenções geradas pelo saber da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, esta também já vem carregada de bem-mal. Assim, por tal meio, a liberdade se vai..., pois, qualquer um, poderá, em tempo real, espionar sua existência, enquanto, por exemplo, fala com você ao celular.

 

Então você diz: “Quem não deve, não teme!”

 

Seu tolo! Não estamos falando de ser apanhado em lugar ‘errado’ pela esposa ou o marido, mas sim de não se poder mais andar sem que olhos humanos saibam de seus passos, sem sua permissão. É um direito inalienável dos homens não terem que se esconder em cavernas a fim de poderem ter alguma privacidade. É também nosso direito podermos andar ao ar livre sem que olhos humanos nos espreitem dos céus. É um direito do homem que haja lugares ao ‘ar livre’ onde somente ele e Deus estejam se vendo! Ora, e ainda estamos falando de brinquedos...

 

Basta imaginar que isto já existe hoje, razão pela qual é inexplicável a não prisão de Bin Laden, mas que estará em todas as mãos, via Internet, em tempo real. Controle é tara dos humanos, porém, se mostrará como sendo a mais compulsiva de todas as taras; posto que esse Big Brother Real está a dois anos ou três... no máximo, de ser uma realidade acessível a todos.Ontem eu vi um cientista do comportamento apresentar a mais recente invenção de detecção de mentira. É uma espécie de leitura das informações verdadeiras estocadas no cérebro. Sim, porque até o mentiroso tem um cérebro mecanicamente verdadeiro com a realidade; ou seja: se aconteceu e a pessoa participou ou soube; ficou registrado no cérebro; e, portanto, por meio de eletrodos supersensíveis, e mediante a sugestão de acontecimentos reais ante os quais o “questionado” é posto, um computador lê e diz se aquela informação existe no cérebro daquele sujeito. Ao final o documentário concluiu: “Agora já não se dependerá de confiança, mas sim do que diz a tecnologia”. Todas as liberdades serão invadidas.

 

Todos estaremos sob vigilância. E isto enquanto a Terra geme e cambaleia, já mais pra “bola” que se chuta (está agora mais redonda) do que para “laranja” que se chupa (conforme era antes). E a moçada diz: "Deixa que eu chuto a redonda!" Nossa contagem regressiva é tão clara que até mesmo o tempo foi alterado, e, assim, temos um segundo a menos em nossas vidas, objetivamente; e isto em razão do terremoto que gerou o Tsunami.

 

Assim, esses não são dias de férias para quem não ficou cínico; e também para quem não se entregou às causas idiotas que são discutidas enquanto o mundo acaba. Quando vejo as preocupações dos políticos e suas promessas, por vezes, tenho vontade de espancá-los, de tão burros e idiotas que são; presos sempre ao seu mundo-imediato, incapazes de olhar para nada que não seja a barganha perversa do agora.

 

De fato, todos os recursos da Terra deveriam ser re-locados e dedicados apenas à saúde; à melhoria da qualidade de vida e de saúde pública; ao ensino, sobretudo, de uma nova consciência de auto-preservação ambiental; à produção de formas de energia não poluentes; e à preservação de todas as formas de vida na Terra.

 

Mas... e os palestinos querem saber disso? E os israelenses? E os iraquianos? E os americanos? Sim, quem? O Brasil, então, meu Deus!

 

É como um sapo discutindo a qualidade da lama enquanto o mundo pega fogo!

 

Outro dia re-vi o Titanic. E dessa vez o que mais me impressionou foi o fato de que havia gente matando, brigando por mulher, escondendo tesouros, abandonado filhos, trancando grades, despachando barcos de elite apenas para a elite..., enquanto o monstro do navio afundava inapelavelmente.

 

Ao ver o filme, vi a todos nós. Sim, nos vi como espécie e como cidadãos da Terra hoje! O navio está mais que afundando, as águas já invadiram os porões, ele já inclinou, range, geme, se contorce, se inclina, incendeia, quebra ao meio...—porém, há ainda tempo para nos dedicarmos ao que é apenas “luxo da morte”: essas nossas causas pequenas e de minhoca, as quais ocupam nossos dias, nos fazem matar, nos tornam os seres mais irracionais em relação ao sentido da vida que já existiram na Terra.

 

Nunca pensei que aos cinqüenta anos estaria aqui escrevendo estas palavras!Sinceramente, não mais do que há uns oito anos, eu cria que a Terra ainda se agüentaria mais tempo; e, também, cria que uma nova consciência poderia aos poucos emergir desse caldo de insanidade. Hoje, entretanto, não me é mais honestamente possível ver assim. É por esta razão que escrevo o que escrevo. Não sou nada e nem ninguém, mas a verdade É.

 

Assim, ouso bradar como ousam os pequenos que não temem; como os que não foram ouvidos no que sabiam; como os que vêem em angustia o mal que se avizinhava sem serem cridos; e, sobretudo, ouso como alguém que crê que o vento sopra onde quer, e que palavras como esta podem chegar a corações que eu nem mesmo sonho que podem dar a elas ouvidos.

 

Todavia, minha esperança está no fato de que é vontade de Deus que lutemos contra isto tudo, apesar de crermos no novo céu e na nova terra. Andar com Deus é sempre caminhar existencialmente no Paradoxo!

 

Assim, a tragédia é tragédia; e, como discípulos de Jesus, temos que ser daqueles que choram com dor verdadeira a putrefação da Terra e dos homens, assim como Ele chorou ante a tumba de Lázaro, mesmo que fosse haver Ressurreição depois de tudo. Santo Paradoxo!

 

Portanto: “Os dias são maus”; porém, me alegro e digo: “Maranata! Vem Jesus!”

 

Nele, que voltará conforme prometeu,

 

 

Caio

 

 

Escrito em fevereiro de 2004