Português | English

Opinião

COMO INTERPRETAR A PESQUISA DO SITE EM MAIO

COMO INTERPRETAR A PESQUISA DO SITE EM MAIO



Este mês de abril o site colocou a seguinte questão para os seus usuários: Enquete: O que você acha honestamente do sexo antes do casamento civil e religioso? Esta questão recebeu até aqui as seguintes reações: * Pecaminoso com ou sem amor 779 Votos - 42.9% * Pecaminoso se for sem amor 152 Votos - 8.4% * Aceitável depois de um bom tempo 33 Votos - 1.8% * Aceitável de acordo com a maturidade 166 Votos - 9.2% * De acordo com a vontade de cada um 67 Votos - 3.7% * Essa é uma questão de cada um com Deus 617 Votos - 34.0% Total de votos: 1814 De fato nesta pesquisa só há dois aspectos sendo questionados, embora haja cinco alternativas para se responder a questão na forma da pesquisa. Os dois aspectos por mim mencionados e que em si mesmos traduzem a pesquisa inteira, prendem-se a uma questão simples: sexo é sempre pecaminoso se acontece fora das formalidades daquilo que nossa cultura chama de ‘casamento’, ou haveria a chance de que mesmo sem as formalidades do ‘casamento’ ele possa ser aceitável? Apenas a 1o questão fecha a porta para que o sexo seja aceitável fora das formalidades do casamento. Ora, do ponto de vista do isolamento da pesquisa às questões em si, esta primeira alternativa ‘venceu”; ou seja: sexo é sempre pecaminoso para a maioria, não importando se há amor ou não. Tal alternativa obteve até agora 42.9 dos votos. Ou seja: para tais pessoas sexo fora das formalidades jurídicas e religiosas do casamento cultural constitui pecado, com ou sem amor. As demais questões fundem-se numa só idéia, embora se tenha dado as alternativas de “somente com amor”; ou “somente com maturidade”; ou “dependendo do tempo do relacionamento”; ou “ninguém tem nada a ver com isso”; ou ainda: “trata-se de algo que somente diz respeito ao indivíduo de Deus”. A idéia que faz convergir para si todas essas alternativas é a de que sexo é uma questão relativa à consciência, à maturidade, ao nível de intimidade, ao tempo decorrido, à decisão pessoal, e, sobretudo, trata-se de algo relativo à consciência de cada um diante de Deus. Ora, se levarmos em conta as respostas votadas em cada um dos boxes da pesquisa, a primeira ganhou, seguida da ultima questão. No entanto, como apenas a 1o questão tinha um valor ‘absoluto’, sendo as demais ‘relativas’ a alguma coisa—tempo, amor, maturidade, consciência, etc...—, de fato o que se tem é o seguinte: mais ou menos 43% dos entrevistados acham que sexo sem casamento formal é sempre pecaminoso, enquanto 57% das pessoas crêem que tudo depende de haver amor, maturidade, consciência firmada e bom senso. Quem votou que sexo é sempre pecado com ou sem amor não precisa nunca mais escrever perguntando nada a respeito do tema; afinal, tais pessoas crêem que sexo é sempre pecaminoso se acontece fora das formalidades do casamento—e, sendo assim, tais pessoas deveriam respeitar as suas consciências e andar conforme ela própria, visto que tudo o que não provém de fé é pecado. As demais 57% das pessoas podem escrever sempre que estiverem com alguma dúvida acerca do assunto em suas vidas. Isto porque para elas essa é uma questão relativa ao amor e às circunstancias da vida, sendo, portanto, passível de diálogo e reflexão caso a caso, situação a situação, momento a momento. Estamos, portanto, diante de dois paradigmas, um formal e legal, e um outro que se vincula à necessidade de que as pessoas tenham consciência dinâmica, sendo capazes de avaliar cada coisa e situação, e decidir conforme o bom senso, a fé, e o amor. De fato eu coloquei essa pesquisa no ar apenas porque eu sei pelas cartas que recebo que muita gente me escreve já tendo sua própria opinião, sendo tal opinião algo que se relaciona à fixidez da Lei, não havendo, portanto, para tais pessoas, nenhuma razão para perguntar acerca daquilo para o quê, numa pesquisa, elas dão uma resposta ‘absoluta’. Isto também prova a esquizofrenia reinante, posto que todo aquele que tem tantas certezas, não deveria fazer perguntas acerca daquilo para o que tem resposta tão definida. Assim, cada um ande conforme a sua própria consciência, sabendo que a fé que se tem para confessar aos outros se deve ter também para nós mesmos, a fim de que se ande conforme a confissão da boca, posto que tudo o que não provém de fé é pecado. Caio