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Opinião

BLOQUEADORES DE PERCEPÇÃO!- Um caso de SEVANTS!

BLOQUEADORES DE PERCEPÇÃO!- Um caso de SEVANTS!

 

 

 

 

 

BLOQUEADORES DE PERCEPÇÃO!- Um caso de SEVANTS!

 

 

 

Ontem assisti no Discovery Channel um documentário sobre pessoas com deficiência numa ou mais áreas cerebrais, mas que, justamente em razão disso, desenvolvem capacidades outras, as quais, em geral, são extraordinárias.

 

SEVANTS é o nome que designa os indivíduos que sofrem dessa condição ligada quase sempre ao Autismo.  

 

Dos vários casos apresentados o que mais me impressionou foi o de um jovem negro que tem a capacidade de memória literal. Ou seja: ele vê tudo, sem os filtros de impedimento de entrada de realidade que o cérebro possui.

 

Levaram o moço para sobrevoar Londres, e, logo a seguir, o puseram numa prancheta, e o rapaz simplesmente desenhou Londres inteira, sem omitir nada, com detalhes chocantes. Sim! Uma sobrevoada de helicóptero sobre a cidade e tudo estava fotografado como se a mente do rapaz fosse uma máquina instantânea de tirar, revelar e imprimir fotos.

 

E mais: ele desenha. E com que graça e precisão de detalhes ele o faz!

 

A pergunta é: Como um jovem cheio de deficiências em algumas áreas, tem tal capacidade estrondosa?

 

A explicação cientifica até agora é a seguinte:

 

No caso do rapaz que fotografa literalmente tudo o que vê, o cérebro não possui a “atmosfera” de proteção de realidade que vem do mundo exterior; e, por isto, o rapaz não consegue ter atenção relacional para sair do autismo [é muita informação entrando, o que o deixa fechado relacionalmente]. Entretanto, paradoxalmente, retém tudo o que lhe entra visual e auditivamente; e todas essas entradas totais da realidade vistas e ouvidas por ele, sem filtros cerebrais, ficam impressas nele como um texto de um livro escrito e não interpretado. Assim, por não filtrar e nem interpretar, o cérebro do moço apenas retém o todo bruto. Daí ele poder pintar como quem segue linhas pré-escritas no papel branco da prancheta.

 

Depois do programa fiquei pensando em como a “modernidade” afetou tal fenômeno relacionado aos Sevants. Pois, se no passado tais pessoas nem eram percebidas, sendo, por tal razão, tratadas como inadequadas ou malucas beleza, de outro lado, antes da “modernidade”, não havia as invasões de poluição sensorial que o mundo pós energia elétrica e engenharia eletrônica gerou para todos os humanos. Especialmente agora, quando somos invadidos o tempo todo, e ainda compramos aparatos de mais invasividade, pois, muitos de nós andamos ligados a plugs e aparelhos áudios-visuais, cheios de flashs e bips [com ou sem música] o dia todo.

 

Ora, tal invasividade é de montante jamais planejado para penetrar o cérebro humano!

 

Sim! Todos nós existimos sob alguma forma de estupro sensorial!

 

Dessa forma, como defesa, desde menino, que vindo do Amazonas, ao entrar no Super Mercado “O Disco”, em Copacabana, no ano de 1964, fechei minha mente para os parques de muitos anúncios e ofertas, de tal modo que Shopping Centers e Bazares em geral me deixam cego.

 

E os anúncios de televisão demoram muito, muito mesmo a me alcançar, especialmente os mais populares, excessivamente gritados e explícitos. Se me saturarem de vozes e muitas informações que eu não esteja buscando conscientemente, em geral eu bloqueio todos os pop-ups.

 

Justamente pela mesma razão consigo trabalhar de modo absorto ainda que um exército esteja fazendo operações de guerra ao meu lado.  

 

Trabalho ao ar livre, com a mulher, filhos, netos, ajudantes, o pessoal da casa e da televisão [Vem e Vê TV] andando por aqui, pra lá e pra cá, enquanto eu acompanho o que interessa sem perder o foco no que faço; pois, sou seletivo por natureza na minha sensorialidade.

 

Assim, para o ambiente externo, sofro ou sou agraciado pelo fenômeno oposto ao dos Sevants, pois, seleciono inconscientemente as entradas de informações, ao ponto de que já faz anos que tenho consciência desse mecanismo inconsciente que opera em mim.

 

Mas por que digo isto?

 

Ora, a maioria das pessoas sofre ou de um Sevantismo que vê tudo de modo literal, como se a vida fosse fixa como o cenário aéreo de Londres, e nada interpreta da existência a não ser as factualidades sem alma e sem subjetividade; ou, então, sofrem do oposto: que é a incapacidade de suportar não as informações da poluição do mundo exterior, mas sim sofrem da incapacidade de suportar as interpretações da realidade essencial da vida, e, assim, bloqueiam não os “anúncios e propagandas” da sociedade de consumo, mas sim as vozes da própria consciência.

 

Ora, faz anos que sou exposto a esse fenômeno nas vidas das pessoas que atendo, ouço, leio ou convivo.

 

Eu bloqueio o que de fora me vem como invasão sem sentido para a vida. Mas tento desde sempre me manter aberto para tudo aquilo que seja vida na existência. E não temo as interpretações de seus significados.

 

Entretanto, a maioria bloqueia tudo que seja vida, com as implicações de alegria graciosa e sem recompensas, de dores involuntárias e inexplicáveis, de abusos reais e idiotas, com causas por trás das manifestações do óbvio, com ambigüidades em tudo, tanto no que é bom como no que é mal; e, sobretudo, com a demanda continua de que se exerça o juízo de não julgar, a fim de que se possa sempre crescer em amor; posto que somente o amor [que é sempre justo e imparcial; e não teme a dor] consegue ver a realidade como ela é.

 

Hoje mesmo vi dois casos que bem ilustram essa deficiência da mente. Foram pessoas que me escreveram dizendo coisas do tipo: “Você agora é a favor da Cabala?” — quando, na realidade, o texto sobre a Cabala que postei aqui no site é critico; e, sem ser apologético ou ofensivo, é uma denuncia de como os cristãos “absorveram” coisas da Cabala sem que o saibam até hoje.

 

Em outra carta alguém me falava com solidária raiva que não sabia como eu consentia com um anuncio de “motel” na borda do site — sem sequer se dar conta de que eu mal vejo tais anúncios; e mais: que eles, quando censurados pela administração de comerciais no site, são limados, porém, por algumas horas ainda ficam no ar. O homem, porém, não viu o site, nem seus conteúdos, mas, como tem um motel na cabeça, imaginou o motel e aquilo que nele se faz, e, sofrendo de desejos, zangou-se comigo, transferindo-me a dor de sua lascívia; porém, ainda assim, cego para o site, que é o que faço e me concerne.

 

Assim, se houver um anuncio no site que a pessoa não goste ou goste demais contra a moral pessoal, ela já não vê mais nada.    

 

Ou então é como um moço que me mandou um texto no qual ele desce o pau na bebida alcoólica, e me usou no que digo sobre temperança a fim de dizer: “Só faltou dizer: Tomou todas!”, aludindo ao que eu disse sobre o modo como Jesus tratou a bebida nos evangelhos. Assim, o que eu não disse, mas na construção que o rapaz faz de mim ficou faltando, ele acrescenta como “realidade a mim” o seu fatídico “Só faltou dizer: Tomou todas!”.

 

Desse modo eu vou me tornando para “eles” o que eles desejam fazer de mim; posto que não buscam nem mesmo a realidade do que está dito e escrito, mas tão somente o que eles querem que você diga de acordo com a “fantasia” que eles criaram a seu respeito.

 

Ora, quem não lida nem mesmo com o elemento concreto do que factualmente está dito, como poderá lidar com a verdade a ser entendida e interpretada?

 

De fato, é a covardia ante a verdade de si mesmo aquilo que molda o mundo de acordo com aquilo que a pessoa acha que suporta acerca da verdade.

 

Ora, eu posso bloquear os excessos de informação e de propaganda consumista que tentam me abarrotar a mente de desnecessidades. Entretanto, em relação à verdade, em identificando-a, eu a quero, pois, sei que se pode diminuir as impressões invasivas da sociedade de consumo sem que isto faça nada além de muito bem, porém, também sei que tentar fazer a mesma coisa com a verdade, é morte da própria consciência. E mais: é a condenação dos sentidos ao estado mais profundo de idiotice mentirosa.

 

Assim, pergunto:

 

O que você bloqueia em sua mente e o que você admite nela?

 

Em minha opinião há muito que se vê e que se deve deixar fora da mente e do pensar, pois, são coisas que não carregam vida, mas apenas distração da vida. Entretanto, tudo o que seja vida e verdade na vida, deve ser por mim retido, sob pena de que eu me torne um autista para a vida e para a verdade.

 

 

Pense nisso!

 

 

Caio

 

16/05/08

Lago Norte

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DF