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Opinião

VI A “RENASCER” E CHOREI...

VI A “RENASCER” E CHOREI...

Hoje, desde que abri meu note-book depois de vários dias internado na Floresta Amazônica, vi que havia uma chuva de e-mails com a matéria que segue, e todos pedindo minha opinião. Assim, transcrevo a matéria, e logo a seguir a comento. Caio ______________________________________________ Promotoria acusa Renascer de criar igreja de fachada para fugir de ações Denominação evangélica, comandada pelo casal Hernandes, estaria tentando ‘escamotear atividades criminosas’ Angélica Santa Cruz O Ministério Público de São Paulo ofereceu a segunda denúncia criminal em dois meses contra fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Em ação penal pública distribuída na semana passada e em tramitação na 16ª Vara Federal de São Paulo, o apóstolo Estevam Hernandes Filho, sua mulher, a bispa Sonia Hernandes, e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno foram denunciados por falsidade ideológica - porque teriam montado uma igreja “laranja” chamada Internacional Renovação Evangélica. Encaminhada pelo promotor Marcelo Mendroni, a denúncia afirma que a igreja de fachada foi criada para “proteger a Renascer de processos de cobrança, cíveis ou trabalhistas” e “escamotear suas atividades criminosas”. A ação pede o fechamento de todos os templos da Renascer em São Paulo. Em setembro, os fundadores da Renascer foram denunciados por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Acolhida pelo juiz da 1ª Vara Criminal, a denúncia resultou em processo que determinou bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário do casal Hernandes. A Renascer foi fundada em 1986, é a segunda maior denominação neopentecostal do Brasil e tem 1.500 templos no País. A Igreja Internacional Renovação Evangélica foi criada em 2004 , não tem templos com seu nome na fachada e, de acordo com sua ata de fundação, é presidida por Jorge Luis Bruno, bispo da Renascer, integrante da banda evangélica Resgate e irmão do bispo Zé Bruno, eleito deputado estadual pelo PFL com 73.968 votos e o apoio do casal Hernandes. A conexão entre as duas igrejas foi feita por acaso, depois de um acidente de helicóptero na noite do Natal do ano passado. Em uma das viagens em que levava convidados de São Paulo para uma festa no haras Agropastoril Reobot - registrado em nome da filha de 25 anos do casal Hernandes, Fernanda Hernandes Rasmussen - o piloto Márcio José Borba de Melo, de 36 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC), perdeu o controle do helicóptero, caiu a dois quilômetros do local da decolagem e morreu. A seguradora Mapfre Vera Cruz entrou no caso para apurar as causas do acidente e calcular o valor do sinistro. Descobriu que o seguro do helicóptero foi feito em nome de uma empresa chamada Radar Segurança e Vigilância Personalizada Ltda., aberta em nome de Laércio dos Santos, o bispo Lalá, representante da Renascer no ABC. Mas o piloto tinha registro em carteira de trabalho feito em nome da Igreja Internacional Renovação Evangélica, apesar de prestar serviços para o casal Hernandes e seus filhos. A seguradora também apurou que, em sua ata de fundação, a Renovação Evangélica aparece com sede social na Rua Maria Carlota, 879, na Vila Matilde. Na verdade, o lugar abriga um templo da Renascer. Ao final de suas investigações, a Mapfre Vera Cruz usou os dados para alegar que a Renascer tentou esconder que o piloto pertencia aos seu quadro de funcionários - e em condições adversas, porque fazia pousos e decolagens no haras, em um pequeno terreno de areia originalmente destinado a animais. E entrou com processo na 8ª Vara Cível de São Bernardo do Campo alegando que, por isso, não tem obrigação de indenizar a Radar Segurança pela perda do helicóptero. O Ministério Público teve acesso aos dados do processo e concluiu mais. Para os promotores, a Renascer abriu uma igreja de fachada para registrar funcionários e fazer contratos de aluguel e depois se livrar de eventuais ações de cobrança. Só em São Paulo, a Renascer já responde a mais de cem processos de cobranças de dívidas, movidos por proprietários de imóveis alugados para o funcionamento de templos, antigos funcionários e até fiéis que afirmam ter sido convencidos a assinar cheques em branco. Procurado pelo Estado, o promotor Marcelo Mendroni confirmou que ofereceu a denúncia (“É um documento público”, afirmou), mas não quis falar sobre o caso. Os advogados da Renascer disseram que não se manifestarão até que a juíza da 16ª Vara decida se vai acatar mais essa denúncia. ________________________________________________ A pergunta é: Caio, o que você acha? O que eu acho? Ora, li e chorei! Chorei porque não tinha que ser assim. Chorei porque de fato é fato. Chorei porque muitos foram deliberadamente prejudicados. Chorei porque uma geração inteira se corrompeu. Chorei porque o antigo roteiro da novela “Decadência”, que foi baseado no Estevam (e não Macedo) se cumpriu. Chorei porque um dia a Sonia foi sincera. Chorei porque o Estevam nunca me pareceu... Chorei porque ele me disse que “esse negócio de irmão...”, era só até haver dinheiro no meio, pois, havendo, “eu tiro as carnes, a pele, como os nervos e chupo os ossos” — disse isso três vezes a mim, a primeira na minha sala, em 1992, quando o chamei lá e disse que aquele caminho dele não era Evangelho e faria mal a ele e a muita gente. Chorei porque já pedi muito a Deus que eles se arrependessem. Chorei pelo Abudd, hoje “Apóstolo”, a quem já muito amei, e a quem disse, quando ele ainda era um menino empolgado com o Evangelho, em 1989, que não se metesse com o Estevam; pois eu o conhecia desde 1974-75; e sabia que ele, Estevam, não era alguém para se andar junto, sob pena de se virar cúmplice dele. Chorei... Apenas chorei! Caio