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QUEM PODE ENFRENTAR A GUERRA SEM TER PAZ?

QUEM PODE ENFRENTAR A GUERRA SEM TER PAZ?

 

 

 

 

QUEM PODE ENFRENTAR A GUERRA SEM TER PAZ?

 

 

 

 

Davi, o guerreiro bíblico, dá conselhos acerca de como ir para a Guerra ou acerca de como enfrentar o adversário e as adversidades.

 

Salmo 27: 4-5

 

Uma coisa pedi ao SENHOR, e a buscarei: que possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR, e meditar no seu templo. Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; por-me-ás sobre uma rocha.

 

Alguém pergunta:

 

Mas como? Sim! Como o verso acima pode ser um ensino para a guerra? De fato o que ele diz é acerca de como se sentem bem as pessoas que vivem em algo como um mosteiro de paz e harmonia, algo como um santuário, um tabernáculo singelo e consagrado a Deus.

 

No entanto, eu digo que, para Davi, todo o segredo de sua vitória na vida residia no que ele dissera sobre viver na “casa de Deus” ou no “Seu santo templo”.

 

Veja!

 

O salmo começa afirmando uma certeza:

 

O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem terei medo?

 

Então, descreve situações nas quais Davi já estivera antes, mas que, vivendo em Deus, a elas pudera vencer, embora diga que ainda que retornassem a cercá-lo, ele não correria perigo:

 

Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram. Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, não ficaria com medo.

 

E mais:

 

Davi fala de não ter medo por estar na Luz de Deus nesta vida, pois, medo são trevas.

 

Ora, na Luz não há medo, posto que diante dela toda treva desvanece.

 

Assim como na Luz, no amor e na fé também não há medo. Logo, andar na luz é andar em amor e fé.

 

É por esta certeza que Davi diz que ainda que ficasse cercado e entrincheirado pelos seus inimigos, cheios de ânimos de morte, seu coração, no entanto, não os temeria e nem ficaria refém do medo e da angustia.

 

Ora, quem anda na luz só tem os inimigos que não gostam da luz; logo, não gostando de amor e de fé tampouco.

 

Aquele, porém, que anda na Luz, anda em amor e fé; logo, não tem inimigos. Tem adversário, mas não é inimigo dele.

 

Afinal, somente assim se pode andar livre. Do contrario, fica-se escravo das guerras e dos ódios de nossos inimigos. 

 

Então, deixando o tema do medo e dos inimigos de lado, subitamente Davi revela o seu desejo mais intimo: morar na casa de Deus; viver no ar e na atmosfera da Arca da Aliança.

 

Nesse lugar maior do que qualquer lugar que o contivesse fisicamente, Davi diz que entraria para ver a beleza da santidade de Deus e adorar Aquele que é.

 

Esta era sua motivação para buscar morar com Deus ainda nesta vida!

 

Davi não queria poder, queria Presença!

 

Nesse lugar que transcende a qualquer lugar, pois, antes de tudo, é um ambiente espiritual e interior, Davi diz que além do véu das separações entre Deus e o homem, nas entranhas do tabernáculo, no Santo dos Santos, há uma rocha, e que, nela, Deus mesmo o colocaria.

 

De lá, de sobre a rocha, ele leva um susto!

 

Sim! Ele olha e vê seus inimigos todos postos abaixo dele, como pequenas cabecinhas humanas, mas sem poder de alcançá-lo.

  

Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; por-me-ás sobre uma rocha. Também a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos que estão em redor de mim; por isso oferecerei sacrifício de júbilo no seu tabernáculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao SENHOR.

 

Para Davi tudo tinha a ver com namoro e intimidade com Deus:

 

Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei.

 

Assim, habitando o ambiente espiritual do santuário de Deus, da casa e do quatro de Deus [figuras de linguagem], Davi tem liberdade para clamar humildemente sem medo. Ele ora e pede misericórdia, mas não teme os homens, buscando apenas viver em humildade diante de Deus.

 

Ouve, SENHOR, a minha voz quando clamo; tem também piedade de mim, e responde-me. Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha salvação.

 

A confiança que o andar na Luz gerara em Davi produzira nele um crer de amor tão grande, que ele diz que se seu pai, Jessé, e sua mãe, o abandonassem e se bandeassem para os seus inimigos, ainda assim ele sabia que o amor de Deus lhe seria fiel:

 

Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá.

 

Davi, no entanto, não crê que a experiência da intimidade de Deus trás alguma proteção extra para aquele que é negligente no andar na Luz:

 

Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita, por causa dos meus inimigos. Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois se levantaram falsas testemunhas contra mim, e os que respiram crueldade.

 

Ele buscara andar com Deus por Deus apenas, mas, depois, descobriu dia a dia que até para se enfrentar a guerra tem-se que morar na casa da paz de Deus, em fé e amor.

 

Por isto, ele afirma algo de natureza essencial acerca de suas motivações:

 

Sem dúvida eu pereceria se não cresse que veria a bondade do SENHOR na terra dos viventes!

 

Desse modo, mais uma vez ele afirma que não tem inimigos que como tais sejam cultivados por ele, pois, de fato, seu desejo é pela paz.

 

Por isto ele diz que todo seu olhar do futuro apenas contempla bondade como visão para o futuro, não de guerra.

 

Na realidade Davi diz que morreria se olhasse para a vida e nela não pudesse ver a bondade de Deus manifesta!

 

Sendo esse o seu espírito, Davi conclui:

 

Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no SENHOR.

 

Desse modo Davi nos diz que até para ir à guerra o homem precisa viver na casa da paz de Deus, andando na luz, sem medo e sem angustia, focando o olhar na beleza da santidade de Deus, com o coração amante da vontade de Deus, encontrando na face de Deus sua alegria, e, assim, vivendo em liberdade para temer a Deus sem temer os homens, e, por isto, olhando para a vida com os olhos da esperança cheia de bondade.

 

Agora leia Hebreus 4:14-16; 6:13-20 — e observe as palavras santuário, véu, Santo dos Santos, tabernáculo; e veja como nosso chamado é para vivermos no ambiente espiritual da casa de Deus, aonde Jesus entrou por nós e conosco; sendo Ele também a Ancora que segura nossa alma na intimidade de Deus; sendo que isto também nos põe em um modo de ser e andar que é carregado das marcas do andar na Luz [Hebreus 10:19-26].

 

Somente aquele para quem Deus é casa, ninho, pouso, sombra, paz e intimidade em amor — terá desejo sadio de andar na Luz; e, assim, também se congregar com outros, também sem medo.

 

Davi ensina que somente pode enfrentar a guerra aquele que está livre do ódio. Quem odeia já é escravo antes de a guerra começar; e, não importando o resultado, ainda que vença, continuará escravo; pois, aquele que odeia é escravo do ódio.

 

Assim, conforme Jesus nos ensinou, eu pergunto:

 

Você tem inimigos? Quer vencê-los? Então, ame-os; e faça isto por ter seu coração cativo do amor de Deus, de Sua intimidade.

 

Somente assim o Salmo 27 será verdade para mim e para você!

 

 

 

Nele,

 

 

 

Caio

6 de outubro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF