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Informativo

Profecia da Mangueira: Vejam o que plantam...

Profecia da Mangueira: Vejam o que plantam...

A Mangueira não ganhou e ninguém ganhou.
Não permitiu artistas globais e nem personalidades alienígenas ao morro desfilando na Sapucaí: o morro desceu para falar de si mesmo.
E advertiu: quem plantar amor vai colher a paz...
Era a voz da favela.
Voz profética.
Sem confeitos e sem visitantes...
Se plantarem amor, vão colher paz.
Se não...vão colher o ano de 2003.
Quem quer que deseje enfrentar a violência no Brasil precisa levar em consideração duas coisas básicas:
1. A violência no Rio de Janeiro não é apenas mais uma violência brasileira. Ela já é quase que inteiramente uma violência colombiana no seu perfil. É pré-colombiana na perspectiva do que ainda pode acontecer. Portanto, antes de tudo, tem-se que considerar o Rio um lugar de decisão. O Rio é hoje um Vale da Decisão. Ou o Estado—em toda a sua competência—faz uma invasão social abrupta, ainda que acompanhada de força para instalação de uma soberania efetiva, ou a resposta cansada da favela é uma só: vocês já tiveram muito tempo para semear amor e colher paz. Agora é tarde...
Esse é o momento de todos os esforços serem envidados em favor do Rio a fim de que depois esse mal não destitua o Estado de seu poder efetivo de soberania.
2. Somente a concentração de ações focadas é que podem criar o impedimento do que será incontrolável: o estado paralelo ser independente dentro do Estado Brasileiro. Onde há poder paralelo há menos Estado. E onde o poder paralelo dá as cartas, ele é o Estado. E, ainda, é somente no Rio que a violência tem os perfis de crime organizado. Daí eu crer que é preciso fazer algo Diluviano: uma enchente de ações concentradas nas comunidades governadas pelo tráfico e achacada pela polícia que se deixa corromper e que corrompe.
A Mangueira avisou cantando...com muita fineza e bom humor.
Vejam o que plantam...a gente prefere mangueira.
Só uma invasão verde e rosa de mangueiras sociais, em larga escala, é o que pode deter esse poder.
Eu vi na Fábrica de Esperança o trafico ser desmobilizado e a violência cair para níveis baixíssimos na região por causa da nossa presença cidadã naquele lugar.
Depende do que se planta.
Ainda dá tempo.
Caio