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O SEGREDO DA VIDA-pregação em Romanos 5- Parte II

O SEGREDO DA VIDA-pregação em Romanos 5- Parte II

(Continuação - O SEGREDO DA VIDA- PARTE II ) Ontem eu estava falando numa reunião em São Paulo, e muita gente e aquela coisa toda; e alguém me perguntou: Como é que estão os seus filhos? E eu falei: O Ciro está muito bem, o Davi também, a Juliana também, e, de todos, quem está melhor é o Lucas. Agora, como é que eu poderia dizer isso se não fosse a esperança da glória de Deus? Como? Portanto, essa paz com Deus que se instala em mim e que é fruto da justificação que eu tenho em Cristo, é também paz no meu luto e na minha dor. Paulo diz na seqüência do texto: “...quando nós ainda éramos pecadores”, estranhos, inimigos, alienados, sem saber de coisa alguma, Ele se reconciliou conosco, esperando apenas que a gente se reconciliasse com Ele para que nós usufruíssemos do bem que já nos está garantido. De tal modo que a minha reconciliação pela fé, não é o que faz Deus mudar de idéia a meu respeito. A reconciliação da parte de Deus já está feita, eu é que não sabia. Nem você. E, enquanto isso..., vivíamos no padecimento da neurose, da angústia, da fobia, da culpa, das trocas, das barganhas, do altar da religião, do despacho, e de todas as aflições... Aquela agonia! Sem falar que sem paz com Deus a vida passa a acontecer um permanente estado de suspeição contra o céus. “Será que alguma coisa aconteceu comigo? Ih, meu Deus! Eu perdi o Táxi. Será que é por que tem alguma coisa? Será que Deus está me preparando alguma?” É um sentimento de suspeição o tempo todo! O cara chega no aeroporto, na hora de pegar o avião, ele tem medo de que se aquele avião vá cair; ou se ele está ali e ele perde o avião, ele já interpreta aquilo: “Ai, graças a Deus, vai ver que é porque esse vai cair.” Não está nem preocupado com os 199 que estão lá dentro! Sim, a maioria vive vida muito miserável. A gente vive, e a gente não se dá conta de como se vive uma vida de medo, medo, medo... o dia inteiro medo... medo de tudo. Mas quando a paz com Deus se estabeleceu dentro de mim, o benefício é todo meu. Deus não ganha nada com isso, quem ganha sou eu . Já está feito, eu é que não sabia. Mas quando eu creio, o benefício vem para mim como paz. E ai, surge dentro de mim, uma dimensão completamente nova, que transcende o imediato. Eu continuo vivendo na terra, mas já me glorio na esperança da glória de Deus. Já não existem mais fatalidades. Já não existe mais absurdo. Já não existe mais interrupção da vida. Quem crer na minha palavra já passou da morte para a vida. Já há uma âncora firme e forte jogada para além de todos os véus, plantada em Deus, e que me garante que eu, conquanto esteja aqui, já estou lá, assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Morri com Ele, ressuscitei com Ele, estou sentado nos lugares celestiais com Ele, apesar de estar suando aqui na frente de vocês... Tá feito! E eu me glorio nessa esperança! Agora, tem uma segunda manifestação de gloria que essa paz com Deus gera na gente, que esse caminho de pacificação com Deus gera em nós, e que a maioria de nós não gosta. Isso porque Paulo prossegue, e diz: “... e gloriemo-nos, também, nas próprias tribulações”. Ai a gente diz: “Vira essa boca para lá, pelo amor de Deus!”—e o cara começa a fazer oração contra, inicia-se aquele processo de “tá amarrado”. Tem crente que lê Romanos 5, 2 e 3, dizendo: “ Tá amarrado”. Tem gente que diz: “Eu não gosto dessa parte aqui...“tá amarrada””. Só que, meu amigo, você pode gritar “tá amarrado” o tempo todo, não está amarrado. Não a Palavra de Deus! Para o seu bem, não está amarrada! Essa “vidazinha de fezinha” que nos promete falsas promessas, que seremos poupados de todas as coisas, porque agora a gente tem uma carteirinha de crente no bolso, e porque a gente freqüenta uma seqüência de reuniões não será jamais objeto e sujeito do sofrimento—porquanto ter-se-ia um domo invisível de proteção e de inatingibilidade sobre a cabeça—, é mentira, mentira, mentira; e eu diria: do diabo. Isso porque a vida não vai tratar você assim. E quando a vida for o que ela é para você, você vai estar pensando que Deus enganou você; e quem enganou não foi Deus nem a Palavra dele. O responsável diabólico é esse “pacote de sedução falsa” que venderam para você em “nome de Jesus”. E não adianta ficar dizendo “tá amarrado”, porque só fica amarrado aquilo que seja uma presença “alienígena” à existência humana. Mas aquilo que Deus determina, por mais estranho que pareça, faz parte de um processo de cura, de terapia, de crescimento, de aprofundamento da consciência em fé em mim, e não há mão humana que possa deter. Portanto, assim como você se gloria da esperança da glória de Deus, se glorie nas próprias tribulações. O interessante é que a minha alegria, a minha glória na esperança em Deus, em toda manifestação de plenificação da minha redenção total em Jesus, e de todos aqueles que eu amo, e de todos aqueles que estão sendo chamados para essa convergência de reconciliação total Nele, me anima a caminhar nessa vida como ela é. Mas ainda assim, o passo seguinte da fé é dizer: “Olhe, você não tem a sua visão no eterno, mas você vai ter que aprender no tempo.” O significado da glória de Deus como experiência de tribulação, muitas vezes, é que gera essa eternidade como sentir existencial em nós. O interessante é que, para nós, cristãos, quando a gente ouve falar em tribulação, quase sempre o nosso auto-engano nos leva a imaginar que tribulação é apenas aquele sofrimento que a gente acha que está sofrendo injustamente. É ou não é? Tribulação para crente é isso! Tem um patrão chato, perseguindo; ou você se enganou e casou com a mulher rixosa e não sabia; tá preferindo trocar a mulher por uma goteira contínua na sua cabeça; uma tortura do antigo DOICODI faria menos mal do que aquele casamento!... Isso é tribulação de crente! A tribulação é a vida! Seja quando você está certo, ou quando você está errado. Quando os outros cometem injustiça contra você, e, também, quando você comete contra os outros; intencionalmente ou não, conscientemente ou inconscientemente. Tribulação é o caldo, é o produto, é o resultado, é a soma das contingencialidades, esse volume inteiro de coisas que estão para além do controle. Por isso, em outras palavras, o que Paulo está dizendo é que você se glorie na existência, em Deus. Não coloque nomes nas suas tribulações, porque o nosso auto-virtuosismo é tão grande que a gente só se sente atribulado quando a gente pensa—pela nossa própria justiça—que estamos sendo objeto de algum tipo de injustiça. É obvio que Paulo não está recomendando que ninguém pratique o mal e se glorie acerca disso. O que ele está dizendo é que tudo aquilo que chega para mim na vida, e que, de algum modo, significa um susto, uma mudança, um toque que altera as coisas, e gera a presença de todos aqueles elementos que quando se aproximam da gente ou tocam na gente, fazem com que alguma coisa doa ou perturbe, ou tire o equilíbrio, ou mexa naquilo que a gente chamava de meu bem, e mexe a minha harmonia, é tribulação! Paulo diz que se você está em Cristo e pacificado em Deus, a tribulação não tem o poder de fazer nada com você, a não ser de melhorá-lo. O mal perdeu o poder de se tornar maligno se você estiver com a sua consciência em Cristo, justificado pela fé e pacificado com Deus. Sem Cristo, todas as coisas fazem mal. Nele, todas as coisas cooperam para o bem. Gloriemo-nos, portanto, nas próprias tribulações. Sejam elas quais forem, objetivas, subjetivas, justificáveis, injustificáveis, lógicas ou absurdas; sejam aquelas que outros perpetraram contra nós, ou que a gente perpetrou contra outros, inconscientemente, sem saber; mas que fazem a gente experimentar o resultado como culpa, como dor, como angústia, como auto-avaliação, como certeza de que de fato cometeu algo que não deveria ter sido, como equívoco, como engano, ou como qualquer produto da consciência. É bom! O duro é quando o indivíduo só chama de tribulação aquilo que fazem contra ele. Mas ele não tem mais nenhuma sensibilidade para discernir que ele está vivendo em tribulação pelos seus enganos, equívocos, erros, pecados e atropelos. Também, porque nesse dia ele vai se transformar apenas naquele serzinho esquizofrênico, auto piedoso e auto vitimado, que acha que o mundo deve tudo a ele, e não se enxerga no próprio caminho, percebendo que assim como hoje ele é vítima, ele, às vezes, até inconscientemente, é um grande vitimador de outros. E bem aventurado é aquele que um dia se dá conta disso. Ele tem chance de ver alterações profundas acontecerem dentro de si. O fato, é que ninguém conhece a verdade apenas no intelecto, a menos que a verdade se transforme em alguma coisa visceral em nós. E a verdade só se transforma em visceralidade na experiência do existir! Eu não tenho como oferecer aqui um pacote preventivo. Eu só posso é dizer o seguinte: Em Cristo, venha o que vier e venha como vier, nada vai ter o poder de me fazer mal! Nada! Nada! Tudo será bem! Mas, por outro lado, você não vai ser poupado de existir na vida, como ela é! Gloriemo-nos, pois, nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz têmpera, produz perseverança, produz consistência, fortalece, treina, enrijece, produz densidade. Sim, cria dentro de você um ser que não é estéril; ao contrário, vai dando a você corpo, forma, densidade interior, olhar firme, perseverança e vai gerar experiência. Experiência só tem quem experimenta. Quem não experimenta não tem experiência. Eu acho engraçado que os crentes acham que a gente pode ter experiência, sem experimento. Você pode até, não necessariamente, experimentar tudo, e Deus o livre de buscar todos os experimentos. Só o idiota busca o experimento como dor! Você não precisa buscar experimento ruim nenhum. Mas se a vida trouxer a tribulação, com a forma que vier, persevere. Porque nesse caminho, aquilo que era mal, vai se transformar em experiência, aonde o experimento não foi algo que você evocou, mas aconteceu; e, uma vez tendo acontecido, problema dele, pois vai ser processado em Jesus para o seu bem. Bem feito para o experimento que veio me pegar. Não sabia que em Cristo ia virar outra coisa. Era a experiência. E a experiência virou esperança! Uma pessoa que vive em paz com Deus, não tem medo de Deus, pois está reconciliada. E, assim, anda tranqüila, calma, refeita, livre, se gloria na esperança da glória de Deus, e olha para as contingências da vida desassustadamente, sabendo que esse mundo não tem mais o poder de lhe fazer mal, se sua consciência se mantiver cativa dessa fé e dessa graça na qual estamos firmes! Aí todo o carrossel das surpresas vai se transformar em benefício. Vai se gestar alguma coisa maior e melhor em você. E o fim desse caminho é esperança. Você fica grávido de esperança. Você passa a ser um ser prenho de esperança. E a esperança não confunde, não deixa ninguém na dúvida, porque o amor de Deus é derramado no seu coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado como certeza da Presença de Deus em nós. A primeira glória é aquela que me projeta, me fazendo ver o que serei, o que me está sendo reservado; e o que pela fé já sou, ainda que de modo irrealizado no tempo, porém antevisto por mim como glória eterna. A segunda glória me ensina o processo de construção de quem eu estou sendo. Eu vou chegar lá, mas eu tenho que passar por isto aqui. É na tribulação que surge a consciência, a percepção, a perseverança, a experiência e a esperança que não confunde. Ai Paulo olha para quem tem dúvida, e diz: “Fique sabendo disso: não precisa ter dúvida, porque você foi alcançado por esta graça sem saber”. Alguém aqui pode dizer: “Eu nasci há dois mil anos atrás”; pode? Ou alguém pode aqui dizer: “Eu estava presente quando Ele fez o elétron? Ou: “Eu vi o Big Bang?” Ou: “Eu vi o nascimento das estrelas e da matéria?” Pode? Ora, o Cordeiro, no entanto, foi imolado antes da fundação do mundo, está para além de toda a radiotelescopia. Está para além da astronomia. Antes de haver objeto estudável, antes de haver criação, o Cordeiro de Deus foi imolado, e o Seu sangue foi conhecido antes da fundação do mundo, o sangue de CRISTO. Cristo está dizendo: “Olhe, você está sendo alcançado pelo que você não conhecia; agora que você conhece, pense só isto: se Ele fez isto por mim quando eu não sabia dEle, me reconciliou quando eu ainda queria ser inimigo dEle, quanto mais agora, que eu tomei conhecimento disto, que cri, que o chamo de Pai? Você agora sabe que a mediação de Jesus finalizou todas as coisas em seu favor. Portanto, por mais que a vida se torne difícil e estranha e conturbada, saiba que Aquele que amou antes de você amá-lo, Aquele que se reconciliou com antes de você aceitar a reconciliação, Aquele que estabeleceu paz em seu favor antes de você querer pacificação, Aquele que morreu por você sendo você ainda pecador—é Esse mesmo que agora dá todas as garantias para você de que se Ele lhe fez o bem quando você não queria o bem, quanto mais agora que você quer o bem; por que o bem não será seu? Então pára com isso! Com toda dúvida! Porque Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Porque pudera ser que alguém se anime a morrer pelo homem bom e pelo homem justo. Talvez. Mas quem é que vai dar a sua vida pelo ímpio e pelo iníquo? Cristo, no entanto, fez isso por mim. E quando eu nasci, em 15 de março de 55, na história, isso tinha acontecido 2000 anos antes, na história. E antes da história, isso tinha acontecido na metafísica de todas as coisas: no Cordeiro imolado antes da fundação do mundo! Antes de haver qualquer fisicalidade já havia essa graça da salvação. O Cordeiro imolado antes de haver qualquer coisa é a certeza de que as intenções de Deus com a Sua criação são todas de amor e Graça. Nós O amamos, só porque Ele nos amou primeiro. Qualquer amor meu por Deus é uma resposta; como diz o profeta Jeremias: “Tu me seduziste e eu seduzido fiquei!” Foi Deus quem fez. Me laçou, como diz Oséias, com laços de amor e de ternura me prendeu. Ou como diz Zacarias: Me fez cativo da esperança, prisioneiro da esperança. E aí vem a última glória, que é a glória de nos gloriarmo-nos na esperança da glória de Deus em Cristo. Apesar de toda a minha relatividade presente, eu sei quem eu sou em Cristo. Isso me põe no caminho da vida como ela é, sabendo que todas as coisas estão contribuindo para construir consciência, fé, dependência, doçura. Todas as coisas estão acontecendo para que a minha vida seja um choque na existência, no absurdo, na desgraça, seja o ensino de sabedoria aos principados e potestades, seja perplexidade para anjos. Esse é o caminho que você está tendo a chance de percorrer, um caminho que torna anjos perplexos. Assim, por último, Paulo diz: “...e gloriemo-nos em Deus”. É interessante como essa é a última coisa que acontece mesmo na consciência da fé. Já é uma coisa horrível de difícil você encontrar uma pessoa cristã que de fato tenha assumido, com fé e firme na graça de Deus, essa certeza de que ela está pacificada e que entre ela e Deus está tudo pago! Quanto mais alguém que não queira mais nada além de Deus mesmo! Eu conheço pouca gente que de fato vive esse benefício de apenas ser de Deus. A maioria que fazer alguma coisa para Deus. Quer que Deus se glorie nele, não ele em Deus. É o tal do “Eu vou fazer isso aqui para agradar a Deus.” E toda vez que eu faço alguma coisa achando que eu vou agradar a Deus, eu já caí no profundo desagrado. Porque as coisas que eu faço que agradam a Deus não são aquelas que eu premedito; elas são frutos de um amor que me constrange. E a palavra original para “constrange”, no Novo Testamento, é a mesma que procede da raiz de cólicas intestinais. Esse constrangimento que vem das vísceras. Quando bate, ninguém precisa pensar; sabe o que fazer. E o amor de Cristo chega assim com esse poder, ninguém fica na dúvida quando o amor de Cristo chega, a gente sabe. Ele é quem me constrange a ir... O último estágio é quando a consciência em fé cresce e você se gloria em Deus mesmo. E eu peço a Deus, de todo o meu coração, que eu chegue um dia a existencialmente me gloriar em Deus, só por Deus. Porque conquanto eu tenha consciência disso, não basta ter essa consciência; isso tem que virar uma verdade que entrou em mim; e não sai mais. Eu ainda me pego, de vez em quando, dizendo: “Meu Deus, tá doendo à beça!” Mas eu sei que tem alívio lá na frente. Está doendo muito, mas.. mas, mas, mas, mas, mas e mas... Mas há de chegar a hora em que a minha glória será em Deus, por Deus e só por Deus, sem nenhum “mas” pois tudo já será em Deus para mim. Então você diz: “O Senhor é a minha porção e a minha herança!” Nesse dia você serve a Deus por nada, absolutamente nada. Você não serve mais nem a Deus para ser salvo; não serve mais nem a Deus por causa da glória prometida; a herança se instalou como presente, você se gloria no Deus que é. Eu estou propositalmente dizendo essas coisas com uma convicção: é aí que está o segredo da vida! Não há aqui nenhuma promessa de isenção; o que há é a certeza de uma segurança total. Não importa o que venha, acaba o medo. Quando essa consciência chega para gente, o mundo se desassombra. Essa é uma coisa que, se crida, meu Deus, desemprega um monte de psicólogos e psicanalistas e pastores. Sim, se isso for crido, até a Igreja, enquanto mantenedora das almas humanas, fica lá sem saber o que fazer. Às vezes, me dá até a sensação de que isso não é ensinado com todas as letras porque se quer que as pessoas fiquem dependendo. E eu não quero nenhum de vocês vindo aqui, com nenhuma forma de dependência, de mim ou da Igreja. Quero que você venha aqui por causa da ALEGRIA de crescer mais, na sua consciência e aprender a andar com as próprias pernas. Justificado pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos firmes nessa graça e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus; e não somente isto: gloriamo-nos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança experiência, e a experiência esperança; e a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado. Ora, se Ele fez isso por nós, quando nós ainda éramos inimigos, quanto mais agora, que Ele já nos tem como pessoas em cujos corações a fé nasceu? Porque Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores; portanto, irmãos, gloriemo-nos na glória que é nossa, gloriemo-nos no processo e na viagem até lá, venha ela com a cara que vier, nos fará bem; e gloriemo-nos em Deus, e sirvamos a Deus por Deus. Ninguém está falando aqui em virar zen, ninguém está falando aqui de um processo de impessoalização; ao contrário, o estranho, é que de certa forma esse é um ser zen, mas ele não é zen porque ele negou a tribulação, disse que não doeu, ou qualquer outra coisa, ou porque ele amorteceu seus sentimentos, a sua pessoalidade, a sua existencialidade, a sua individualidade; ao contrário, ele viveu tudo isto em Cristo, e chegou neste momento da vida em que agora Deus é suficiente para ele. ELE é a sua glória! Oração: Ó Pai, obrigado pela boa nova, pelo Evangelho da Graça de Deus. Obrigado porque está tudo feito antes da gente saber que estava. Obrigado porque antes de haver mundo já havia a Tua provisão de graça. E obrigado porque antes de eu nascer, já tinha havido cruz na história. E obrigado porque quando eu era inimigo, o Senhor já era meu amigo. E agora eu não tenho mais nenhuma razão para temer, porque se Tu foste meu amigo quando eu era teu inimigo, quanto mais agora que eu quero tua amizade e que já estou reconciliado definitivamente? Tu estavas reconciliado comigo, eu é que não estava contigo. Agora estou. E tenho paz contigo. E não sou filho da ira nem do medo. Obrigado pela esperança da glória, que torna todo sofrimento do tempo presente, toda dor, toda perda, como coisa boba que não dá para ser comparada com o peso de glória que está reservada para nós. Obrigado pelas tribulações. Mesmo. Sem nenhuma atitude estóica. O Senhor sabe! Obrigado pelas tribulações. Obrigado pela casa do luto. Obrigado pela tristeza no coração, muitas vezes, que trouxe consciência. Obrigado porque o Senhor nos salvou de muitas falsas alegrias, de muitas prosperidades mentirosas, que fariam apenas a gente ficar anestesiado, embrutecido, envaidecido, arrogante, pedrado, desenervado e sem alma. Obrigado porque o Senhor sabe onde toca; o Senhor deixa que as coisas venham a nós, na hora em que elas serão terapia para nós, e não para nos esmagar. Obrigado Senhor porque nós não temos poder para destorcer o que Tu torceste. Obrigado porque o Senhor nos faz perseverar; prova disso é que a gente está aqui. Obrigado pelo passado, dele não temos saudades; nem do melhor nem do pior. Não é bom perguntar porque os dias passados foram melhores do que este. Este é o dia que o Senhor fez. Louvado seja o Teu nome. Hoje é dia de eu me tornar um outro homem. De dar passos a mais na fé, na consciência, na compreensão, no entendimento, na coragem para viver, na dependência. É dia de desentorpecer a nossa alma, de tirar enganos da nossa cabeça, auto-piedade, auto-vitimização. É dia de nos botares em pé. Não na nossa própria força, mas na perseverança que vem de Ti. Obrigado pela experiência do passado, pela experiência de hoje, pelas experiências do futuro. Obrigado porque o que nos anima todo dia, é que depois de tudo isso, a gente fica mais cara de pau para o diabo, para os principados e protestades que não conseguem compreender como é que o massacre gera esperança, e dá mais certeza, e dá mais confiança. Obrigado por esse paradoxo maravilhoso; que a gente só se apropria dele pela fé. E obrigado porque vai chegar o dia, e já chegou, e está chegando, em que nós vamos nos gloriar em Ti mesmo, com dor, sem dor, de qualquer jeito. Obrigado porque mesmo que nossa cabeça seja cortada e oferecida como prêmio a Salomé, num banquete de idiotas, ainda assim, no Reino de Deus, esse pequenino é grande e essa vítima da banalidade carrega todo o significado e todo o sentido na presença do Pai. Obrigado porque nós não precisamos que esse mundo nos dê sentido, nem faça sentido, nem tenha sentido, nem se explique para nós. Obrigado porque o Teu justo viverá pela fé. E quem sabe de Ti não precisa ter explicações sobre mais nada porque tudo se tornará bem, para nós; o que compreendemos e o que não compreendemos. E, na maioria das vezes, o que não compreendemos é o que mais bem nos faz. Mantém nosso coração na fé e ajuda-nos a sermos Teus, por Ti, e por nada mais além de Ti. Ajuda-os a confiarem e não temerem. E a ficarem firmes nesta graça. Em nome de Jesus. Quero também pedir que o Senhor esteja estabelecendo, com majestade e soberania, livramentos conforme a necessidade de cada um. Seja no corpo, na vida, nos negócios, na sobrevivência, no trabalho, nas afetividades, nos vínculos, nas necessidades de conciliação, de reconciliação, ou na necessidade de partir... Obrigado porque isso tudo se dá no caminho, onde a gente conhece a verdade, e onde a gente experimenta a vida. Em nome de Jesus e para a glória de Jesus. Amém e amém. Amém