Português | English

Devocionais

O BICHO HOMEM: O CENTRAURO E O CENTAURO

O BICHO HOMEM: O CENTRAURO E O CENTAURO

Escrito em 2003- no início do site Primeira reflexão: É o homem saindo do touro. O dorso é de animal, mas dele emerge um homem. Assim é o homem caído, desde que seus olhos abriram-se. A queda é a consciência do homem acordada para o animal que ele era e não sabia, pois, mesmo sendo superior aos demais animais, não via a morte ao seu redor—nem tanto por ela não acontecer, mas por não existir para ele—a morte tem que ser vista, antes de ser admitida! A Queda é saber de si e da morte. Por isto, Jesus veio ao mundo para destruir aquele que tem o poder da morte, a saber: o diabo; e para livrar aqueles que pavor da morte estavam sujeitos a escravidão por toda a vida. O salário do pecado é a morte! O diabo se alimenta da consciência de pecado! O pecado alimenta-se da consciência oprimida pelo medo do salário da morte! O pecado paga com a morte, mas a morte decorre da consciência do pecado. Assim, sem consciência de pecado não há morte. Um dia foi assim, pois é assim que é! Daí o reverso da Queda ser a Ressurreição, visto que é pela Ressurreição que a morte é vencida tanto como consciência como também na real simbolização da factual Ressurreição de Jesus. Para os humanos esse fenômeno pode ser observado psicologicamente—assim passou a ser apenas porque assim um dia foi. Mas não ficou assim apenas porque aconteceu assim. Ao contrario: aconteceu assim antes de ter acontecido; aconteceu antes de acontecer depois—por isto é que se tornou; afinal, já era assim. Há modelos celestiais a serem medidos e refletidos! O Cordeiro foi imolado antes da criação... Assim, a morte não apenas ilustra a verdade do que é, mas faz parte dela na própria essência da criação. Daí antes de criar Deus morrer pelo que ainda iria criar no lugar aonde o tempo veio a existir pela referencia do espaço medido pela consciencia-de-si-mesmo que Deus deu aos humanos—os seres nascidos no tempo e no espaço. Assim, dirijo a Ele minha oração: Deste a um ser menos que minúsculo a chance de existir vivendo com consciência de tal. O homem vê muito do que criaste—e imagina o infinito—enquanto ao mesmo tempo se percebe tão esmagadoramente animal em ascensão—centauro que busca deixar o touro a fim de se tornar apenas humano—ao mesmo tempo em que também sabe que é animal em decadência: centauro e minotauro se confundem! A Graça sabe quem é quem! Assim, descanso em teu cuidado! Segunda reflexão: Rm 7—todo o capítulo. O bicho é humano. Ele é o centro, o centrauro! Esta é a luta de sempre—ou melhor: desde que a consciência-de-si apareceu no ser humano como conflito, na Queda. Paulo declara em Romanos 7 que essa é a luta essencial. O instinto milita contra a consciência profunda. O querer é da consciência. O realizar é do instinto. A consciência sabe que sabe. O instinto sabe que precisa. A Queda estabeleceu a ruptura essencial—e esta veio a crescer com as produções secundárias da culpa, condicionadas por tabus, fobias, controle, poder, crença, cultura. Depois da Queda o que um dia estava alinhado, desalinhou-se. Pendeu. Perdeu o prumo, o equilíbrio—errou o alvo. Antes havia uma consciência no instinto e um instinto na consciência. Depois passou a haver uma divisão, uma guerra, um antagonismo. Daí Paulo usar a linguagem da guerra: milita contra... Assim, o instinto cresceu para virar pulsão, compulsão, comichão, vício, obsessão, tara, loucura—tudo dependendo do nível de escravidão que gere no instituado. Já a consciência se estabeleceu como dever. Assim, quando pensa que sabe é porque já sabe que deve. Esse encontro entre o instinto adoecido e a consciência enferma é a combinação de elementos que nos aniquilam ao mesmo tempo em que constituem nosso ser hoje. Somente o trabalho do Espírito, mediante a consciência em fé na obra consumada por Jesus na Cruz e na Ressurreição, é que pode deflagrar o processo de rejunção pacificada desses estados irreconciliáveis pela própria natureza. Esse será o tema de Paulo no capítulo 8 de Romanos. Enquanto isto creia que já não há mais nenhuma condenação para aquele que está em Jesus Cristo, nosso Senhor. Falaremos sobre isto depois. Terceira reflexão: Rm 8—todo o capítulo. No texto anterior a este eu falei do conflito que se instalou entre o instinto e a consciência—digo: instalou-se com a Queda. Assim nasceram os Centrauros! Paulo trata desse estado em Romanos 7 e foi acerca disso que também falamos no texto anterior. Aqui continuo de onde parei e prossigo para onde prometi. Portanto, leia Romanos 8. Uma vez que Paulo identificou e estabeleceu a incurabilidade dessa guerra entre a consciência e o instinto, o que fica em nós é uma profunda tristeza. “Desventurado homem que sou!”—clamou Paulo. A verdade é estranha. Primeiro ela faz o diagnóstico do pior de todos os males e que é doença de todos na Terra. Depois de assim fazer, surge então não um indicador para que se siga determinada regra a fim de se curar o ser desse estado de divisão básica. Não é isto que acontece. Paulo começa tão somente dizendo que “Agora...já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus”. A seqüência nos afirma basicamente duas coisas: 1. Deus, em Cristo, pelo amor do Pai e mediante a obra do Espírito Santo, realizou tudo aquilo que se pode esperar em favor de nós, os Centrauros. Agora os bichos de si-para-si-mesmos poderem ser salvos de sua catividade. “Já não resta condenação para os que estão em Cristo Jesus”. 2. Estou livre da morte, mas agora preciso ser curado. Ou seja: em Cristo a assunto acerca da morte do Centrauro ficou afastado para sempre. Agora, livre do medo da morte—e que é a força motriz de desalinhamento entre o instinto de sobrevivência e consciência da vida—nós podemos começar a buscar o caminho do pendor para a escolha da consciência, sem a culpa de se abandonar o instinto; bem como se pode admitir o instinto, mas colocando-o na intensidade apropriada. De acordo com Paulo esse bem já está definitivamente conquistado. O que nos resta é crescer na apropriação desamedrontada do bem já realizado em nosso favor, ainda que, na pratica, todos nós vejamos os sintomas da presença da desordem ainda nos habitando. A questão é que a culpa da doença era a doença da culpa. Assim, livres da doença da culpa podemos prosseguir para buscar a cura da culpa da doença. A pior doença não é mais a doença da culpa, mas a culpa da doença. E quanto mais nos sentimos tomados pela culpa da doença, mas crescem em nós—outra vez—os sintomas da doença da culpa. Enquanto a guerra é essa, mesmo que você diga que crê em Jesus, tudo continuará igual—podendo até mesmo piorar, como em muitos casos acontece. A doença da culpa já foi debelada. Não há mais risco de morte. Jesus garantiu isto para cada um dos Centrauros. “Agora, pois, já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”. A cura agora é um processo de pacificação que dura o resto da existência. Não há, na Terra, um único Centrauro que esteja livre de experimentar alguma forma de culpa da doença como se fosse ainda a doença da culpa. Toda vez que a doença da culpa volta como sintoma, a maioria dos Centrauros pensa que está morrendo e, assim, entregam-se à culpa da doença e passam mal, muitas vezes achando que o que Jesus fez não resolveu nada. Resolveu tudo! Os Centrauros é que não desejam descansar no bem que já lhes pertence. E como não estão mais sob o risco da morte, mas ainda experimentam os sintomas, freqüentemente, ao prová-los como fato, desistem da esperança e abandonam-se ao domínio dos sintomas. Paulo diz em Romanos 8 que o caminho agora é o de buscar novas inclinações. Enquanto a primeira interpretação da culpa da doença for “morte”, o coração do Centrauro sofrerá as fobias da morte e pensará que está morrendo. Somente quando o Centrauro crê que não sofre mais desse mal para a morte, é que pode iniciar-se dentro dele o benefício do bem já conquistado por Jesus. O Centrauro tem que andar em fé a fim de se apropriar do bem que já é seu. A fé põe o Centrauro no caminho da inclinação para o outro centro—não o seu mesmo. A doença do Centrauro está no seu próprio centro, que virou um campo de batalha entre ele e ele mesmo. A inclinação do Centrauro agora tem que se mudar para outro eixo: o da paz que está em Cristo—pois, somente nesse estado é que ele pode começar a usufruir o bem que já é dele. Mas não há mágicas! Trata-se de um longo caminho de fé e consciência—onde o instinto e a consciência vão se reconciliando pela ausência da doença da culpa e da culpa da doença. Quarta reflexão: Rm 7 e 8 Já vimos quem é o Centrauro nos textos que precederam a este. A leitura deles é obrigatória a fim de que você possa entender este. O Centrauro sofre porque é Centrauro. Sofre dores diferentes. Cada Centrauro tem sua própria dor e vive sua batalha interior de modo diferente. O Centrauro que eu mais conheço sofre de variadas dores. Sofre pelo excesso de energia que parece existir nele. Sofre pela incapacidade de ser calmo frente a seus próprios impulsos. Sofre a tristeza pelas coisas que já não têm remédio. Sofre a culpa de saudades. Sofre a certeza de que sua existência histórica carrega um espinho maior que a carne onde ele se instalou. Sofre o retardo de seu ser na apropriação dos bens de sua consciência. Sofre a canseira de ver como vê e de saber que as coisas que ele vê, não deixarão de ser como são nunca na Terra. Sofre por ter que amar em meio a tanta conturbação. Sofre a conturbação do amor—em suas mais variadas formas. Sofre por misturar as causas de sua dor com o efeito dela—e assim, sofre por ser injusto na expressão até mesmo de seu sofrimento. Sofre juntamente com a criação pelo dia da redenção de seu corpo de morte. Sofre ao se sentir entregue à morte o dia todo. Sofre...o próprio sofrimento. O Centrauro é apenas um homem. Um homem entre outros homens e sentindo aquilo que nenhum outro homem pode saber o que é: a dor maior do Centrauro é sua solidão. Assim, o Centrauro olha para cima e diz: “Aba, Pai!”. É tudo o que diz. E na sua impotência crê numa intercessão maior por si mesmo. Pede Àquele que sonda os corações que interceda por ele, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. O Centrauro...bem, ele é quem achar que é um. O Centrauro já não sofre de condenação divina. Ele ainda sofre a sua própria condenação humana. O pior inimigo do Centrauro é ele mesmo. Sua salvação na Terra é deixar seu próprio centro livre para ser ocupado com a paz que já é dele, mas que ele precisa se apropriar dela. Deus salvou o Centrauro! Agora o Centauro tem que descansar nisto. O Centrauro viverá pela fé. Caio