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ECO-EXISTÊNCIA: O APOCALÍPSE DOS BICHOS

ECO-EXISTÊNCIA: O APOCALÍPSE DOS BICHOS



ECO-EXISTÊNCIA: O APOCALÍPSE DOS BICHOS

 

Oséias 4

Ouvi a palavra do Senhor... pois o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus.

Sim, na terra só prevalecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar, e o adulterar; há violências e homicídios sobre homicídios.

Por isso a terra se lamenta, e todo o que nela mora desfalece, juntamente com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem de dor.

Todavia ninguém contenda, ninguém repreenda; pois é contigo a minha contenda, ó sacerdote.

Por isso tu tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe.

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto tu, ó sacerdote, rejeitaste o meu conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da Palavra do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

Quanto mais eles—sacerdotes e povo—se multiplicaram, tanto mais contra mim pecaram. Por isso, eu mudarei a sua honra em vergonha.

É verdade. Os sacerdotes comem e enriquecem, alimentam-se do pecado do meu povo, que peca por não saber o caminho, enquanto os sacerdotes, no coração, desejam a iniqüidade dele a fim de enriquecerem, pois lhe vendem falsos perdões.

Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei conforme os seus caminhos, e lhe darei a recompensa das suas obras.

Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à luxúria, mas não se multiplicarão; porque deixaram de atentar para o Senhor.



Este texto de Oséias 4 é extraordinário nas revelações que faz.

Nele, tudo está conectado. A natureza é profundamente afetada pelas obras dos homens, e pelos eflúvios de suas formas de espiritualidade, para o bem e para o mal.

Não é possível haver vida humana sem a expressão da liberação das energias espirituais que se carrega.

Assim, diz o Senhor, o desamor entre os homens afeta criaturas da terra, do mar, dos rios, e dos ares.

As afirmações de conectividade prosseguem, e dizem que os sacerdotes estão conectados ao povo, e o povo aos seus sacerdotes.

No fim, a denuncia acerca da morte da natureza recai sobre o sacerdócio da inconsciência e da hipocrisia, e que não trabalha em favor da construção de uma Consciência Iluminada pela Palavra de Deus, o que, sem dúvida, tem que reintegrar o homem a Deus, a si mesmo, ao próximo, e à criação.

É a exploração que o sacerdote faz do estilo de vida auto-destrutivo dos indivíduos, aquilo que alimenta o processo, e enriquece os bolsos dos controladores de consciência.

A culpa dos homens faz a Terra gemer!

Os sacerdotes abençoam a maldade que destrói predatoriamente os próprios humanos, mas que também afeta toda a criação.

Quem se diz sacerdote de Deus deve saber que está lidando com toda a criação.

Haveria muitas leituras dessa conectividade entre criaturas, humanos e consciência espiritual. Sobretudo, haveria a também a tentativa de explicar a conexão mediante duas coisas: ou como uma maldição divina, em razão de se estar pecando; ou como um mero fenômeno de reação em cadeia, do ponto de vista de uma mecânica ecológica.

É claro que em qualquer caso as duas coisas estão presentes. A maldição, não como um ato amaldiciador de Deus, mas como a ativação de anti-princípios que sempre desconstruirão a vida. Portanto, a maldição tem vida própria, fenomelogicamente falando.

Já no caso da segunda explicação, a que pode ir do dado sócio-econômico ao ecológico, pelas vias convencionais—mudanças na sociedade humana sem dúvida afetam o meio ambiente—, também é um fato. Afinal, tem-se que admitir a impossibilidade de não se constatar a presença de reações em cadeia, também se nos ativermos apenas a tão mecânica percepção de como as coisas se conectam.

A questão, no entanto, é que as coisas são vivas; e a vida se comunica entre si mesma, nas muitas formas de sua manifestação.

Hoje se sabe acerca de quão vivos são os vegetais, e mesmo as mais básicas formas de vida.

A própria natureza carrega mensagens nos seus muitos e quase infinitos canais de comunicação consigo mesma, e entre as suas populações de entes vivos.

Mas não apenas o que está vivo se comunica. Tudo o que existe fala, se expressa, é afetado e afeta.

“Por toda terra se faz ouvir a Sua voz...”

Tudo afeta tudo, e o Uni-verso, é o que o nome já diz. Uma realidade integrada. E isto vai das grandes massas cósmicas, aos corpos ínfimos, à estrutura da energia, nos porões do átomo.

Ora, essa comunicação é irremediável.

Ela não pode ser evitada. O que existia para o bem no Éden, antes da Queda, acontece para o mal também.

A natureza geme e aguarda do dia da redenção. Nesse dia as árvores aplaudirão.

O nível de conexão entre o homem e a natureza é tão grande—para o bem e para o mal—que Paulo diz que a natureza foi sujeita à vaidade de nossa Queda.

O mesmo intercessor dos humanos, é o intercessor da natureza, o Espírito Santo.

O Salmo 104 nos diz que as estações e todas as manifestações naturais são Pentecostes. É Deus quem envia seu Espírito Santo, e renova toda a face da Terra.

A preocupação em afirmar a espiritualidade de todas as coisas criadas é tão grande, que o Apocalipse fala dos anjos das fontes das águas, e mostra anjos com os pés entre a terra e o mar, sobre o sol, ou tendo a lua sob os pés, ou arrastando constelações.

Todos os juízos divinos na Bíblia não deixam de incluir a caotização da criação em razão da estupidez auto-destrutiva dos humanos.

No fim, os poderes da matéria serão abalados: das imensas massas estelares aos minúsculos entes sub-atômicos, tudo se abalará.

A natureza e o homem compartilham o mesmo destino.

O Cristo ressuscitado ingeriu criação em Seu estado de glorificação: vinho e tilápias atravessaram paredes, e foram com Ele para cima de todo principado e poder.

“Ele comeu e bebeu com eles depois que ressuscitou dentre os mortos...”

Agora, duas perguntas:

Os anjos serão julgados por homens?

Paulo diz que sim, em I Coríntios.

E os homens? Serão julgados por quem?

Ora, a prevalecer o critério usado no julgamento dos anjos, no qual nós, os estúpidos humanos, faremos o juízo deles, pessoalmente, eu creio que se é assim, quem nos julgará será a criação.

Na Bíblia mulas, galos, e até pedras trazem recados para homens entupidos de arrogância.

Seria a suprema ironia: os bichos julgando os homens!

Nada poderia ser um juízo mais final para a nossa presunção.


Caio

Em 2004