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Devocionais

DO JEITO QUE O DIABO GOSTA

DO JEITO QUE O DIABO GOSTA

Mc 7: 15-23

O texto em epígrafe nos abre o baú de poeira e mofo da alma humana, de onde procedem os maus desígnios.

Ora, lembrar de maus desígnios nos remete imediatamente para Paulo, quando diz que não devemos desconhecer os “desígnios de Satanás”(II Co 2: 11).

Ambas as passagens encontram seu recíproco e, portanto, sua explicação não no Diabo, mas no coração humano (Mc 7: 31-32). Quem desejar conhecer os desígnios de Satanás tem apenas que conhecer o coração humano!

Daí o contexto de II Coríntios ter relação com o perdão—ou seja: com a Lei da Graça.

O mesmo se pode dizer de Efésios 4: 26-27, onde a ira contínua, em se estabelecendo como estado de ser—“não se ponha o sol sobre a vossa ira”—, poder criar a ambiência na qual o Diabo acha o seu lugar nos labirintos do ser.

Portanto, os “desígnios de Satanás”, nada mais são que o estabelecimento de nossos próprios desígnios maus como sendo nosso direito.

O conselho de Tiago—“resisti ao diabo e ele fugirá de vós”—tem seu equivalente em resisti aos vossos próprios maus desígnios e o diabo fugirá de vós.

Ou ainda: “O pecado jaz à porta e a ti cumpre domina-lo!”—conforme o que Deus disse a Caim.

A mais sutil de todas as manifestações dos desejos do diabo é aquela que se torna “meu direito” no que tange a expressão do meu ser.

E não creio ser necessário me estender, mas vale lembrar que a Teologia Moral de Causa e Efeito carrega consigo o poder de transformar maus desígnios em virtudes morais, conforme foi amplamente demonstrado nos Evangelhos de acordo com as denuncias que Jesus fez ao estado de ser da alma daquela geração—mas especialmente no que se referia ao estado interior da alma dos religiosos: os fariseus, os escribas da lei e as autoridades do Templo.

Os grandes homicidas dos Evangelhos não são pagãos, mas crentes.

E foi nesses corações onde os desígnios de Satanás mais encontram compatibilidade. Eram “programas” que liam um ao outro.

Ora, eu sei que esta não é uma boa leitura devocional. Mas é da verdade que nasce a devoção!


Caio

Em: 15/06/2004