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APOCALIPSE DE JOÃO, MARIA E JOSÉ

APOCALIPSE DE JOÃO, MARIA E JOSÉ


APOCALIPSE DE JOÃO, MARIA E JOSÉ

 

Minha adolescência viu a popularização da palavra “ecologia”.

A palavra era underground, ou seja, na gíria da época era moda, era in falar em ecologia. Servia até na hora da cantada, dependendo do nível de "hiponguice" da menina.

Hoje, 33 anos depois, a palavra não é mais moda; é ordem do dia. Passou a ser uma questão de prevenção apocalíptica.

Como já temos dito aqui, a própria ordem antinatural das coisas — que é a ordem que temos — já carrega em si as trombetas, taças, ais e gemidos do Apocalipse.

A civilização humana é o Apocalipse, e sua “evolução” caminha na direção da construção definitiva desse cenário.

O único problema da Terra é o homem.

Não satisfeito em ter criado um mecanismo e um sistema no qual a própria natureza é a bomba, a humanidade continua a dar todos os demais passos para chegar aos cenários indescritíveis do Livro da Revelação.

Também é estranho ver bem diante dos olhos que o Apocalipse e o Gênesis são irmãos gêmeos.

No Gênesis temos sociedades sendo destruídas pela natureza — o Dilúvio e Sodoma e Gomorra. Nele também temos quase todos os pais dos atuais agentes históricos das guerras renitentes e das causas finais.

Veja:

1. Os filhos de Esaú estão presentes, são os antigos filhos de Edom, que há muito se misturaram dentro do lado também machucado da mesma família, a de Abraão, que foi gerada com a egípcia Hagar.

2. Os filhos de Ismael, filho de Abraão com Hagar, a concubina, estão mais vivos do que nunca. Conforme a “profecia de Abraão” a descendência de Ismael haveria de ser poderosa, gente de guerra e do deserto, que habitaria para sempre “fronteiriça” à casa de Isaque, herdeiro de Abraão.


3. Os filhos de Abraão, os descendentes de Israel, vivem, mais uma vez, o papel de centro nervoso de um conflito sem proporções, que só pode ser explicado em sua totalidade — todas as questões sobre a "importância estratégica de Israel” são menos reais que o fato da “importância inconsciente” que Israel carrega no cenário do Inconsciente Coletivo — se levarmos em conta que os agentes históricos se tornaram parte de um sistema invisível que é peça fundamental na deflagração de qualquer que seja o fim das coisas...

4. As vozes do deserto clamam. Seus profetas não se parecem com os “profetas de auto-ajuda” e nem com os “educados anjos cientistas do meio ambiente” que também erguem suas vozes de arautos contra a Terra. O mundo está diante de algo para o que todas as armas sofisticadas nada podem. E o caos tende a crescer nas asas dos abutres do terror e das águias sanguinolentas do pretexto da “liberdade” ou do “Free World”, conforme Bush.


5. Enquanto tínhamos a Guerra Fria ainda estávamos lidando com a loucura de Estados, o que é ainda muito mais visível e acontece conforme jogos de interesse econômico e político. Mas agora não. Os atuais profetas do deserto não querem conquistar o Ocidente. Eles querem é acabar com a fonte de propagação de “infidelidades e de dissolvências culturais e de princípios”, e que, à semelhança da Grande Babilônia, controla a vida — do comércio às almas humanas — em todo o planeta.

6. Agora Babel, Babilônia, e todos os povos antigos que viviam em suas circunvizinhanças preparam os artefatos criados pelos descendentes de Caim — Tubal-Caim e seus irmãos. Esses artefatos são os mais antigos instrumentos de guerra, conforme o Gênesis. As forças do Gênesis e as do Apocalipse se confrontam como rivais, porém construindo um cenário comum. Sim, os cenários mais delicados e potencialmente explosivos de hoje ainda são os mesmos de toda a História Bíblica. Para os estudiosos da Bíblia o mundo está exatamente o mesmo, movido pelas mesmas antigas e básicas revoltas, porém elevadas ao nível do potencial calamitoso que o mundo tem consigo hoje.


Dá-me uma enorme sensação de que acabarei sendo mais historiador de tempos apocalípticos do que um comentarista bíblico que tente interpretar o livro.

O Livro Selado está tendo seus selos abertos bem diante de nossos olhos.

“E eu chorava muito, visto que ninguém... era digno de abrir o Livro, nem mesmo de olhar para ele; a fim de abrir os seus sete selos...” — afirmou João, o apóstolo que teve a visão do Apocalipse.

O mundo continuará criando o fim enquanto diz que assim procede em nome da Liberdade.

Liberdade, para o homem caído, é tirania do mais forte contra o mais fraco.

Os cenários do Gênesis também se misturaram com acontecimentos da História Cristã. Agora os antigos paises que se uniram no fim do primeiro milênio a fim de expulsar os árabes mulçumanos da Palestina são os mesmo aos quais Bin Laden devolveu o seu nome histórico ao chamá-los de “Os Cruzados”.

Se as coisas continuarem conforme caminham, os dias dos Ais não andam tão distantes assim.

Nós, porém, não estamos desavisados, para que aquele dia não nos apanhe de surpresa, pois há de vir sobre todos os habitantes da Terra.


Caio


Em 2003