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ÁGUIAS E AVES DE RAPINA: UMA QUESTÃO DE ETIQUETA

ÁGUIAS E AVES DE RAPINA: UMA QUESTÃO DE ETIQUETA

A diferença entre as aves de rapinas e as águias, é que as primeiras devoram em bando e no lugar das matanças. Já as águias carregam a presa para comer em seu ninho, no alto da montanha.

Mas a etiqueta tem seu papel no mundo animal por nossa causa.
Para nós a modo de matar e comer pode estabelecer a diferença moral entre a imagem do abutre e a da água.

Assim como fazemos entre operação militar cirúrgica de assassinato realizada pela CIA e uma ação terrorista praticada pelos carniceiros covardes.

A presa pensa a mesma coisa sobre ambos.

Assim como os frangos não se comovem com a gentileza de uma morte realizada num campos de concentração granjeiro, e nem tampouco com uma primitiva torcida em seu pescoço no fundo do quintal daquele que o comerá--julgando a primeira mais frangalmente humana.

O frango does not care!

Nós é que atribuímos barbarismo à obviedade chocante da execução da galinha de pescoço retorcido; e emprestamos fineza civilizada à execução no corredor da morte da assepticamente bem cuida granja.

Para Calvino, seria mais humano que levassem seu derrotado contendor à guilhotina—não sendo possível a ele ser perdoado, pois, essas haviam sido as regras do combate intelectual—, do que permitir que o condenado fosse colocá-do amarrado à estaca da fogueira quase-pós-medieval.

Para o herege era apenas uma outra maneira de ser morto.
Assim, o golpe de misericórdia sempre mata alguém!
A misericórdia entra nas história para poupar os matadores de realizarem uma execução que os faça sentirem-se barbaros, carcarás ou abutres.
Uma questão de etiqueta-ética!