100%
Um convite a doce revolução. Vem e Vê.
Google Play Baixe o aplicativo. O evangelho no toque do seu dedo!

TEXTOS > CARTAS

A CARTA DE UM APRENDIZ DE DIABO

   

 

 

Corre na Internet uma carta intitulada A Carta.

 

É a pretensamente organizada narrativa de um missionário de uma suposta Igreja do Diabo.

 

O carinha se apresenta como uma espécie de agente secreto dessa igreja desejosamente satânica, e que sem explicar a razão da perda de tempo estranha à inteligência diabólica, infiltra agentes na igreja evangélica, a fim de semear contendas, divisões, facções, fofocas, boatos, calúnias, encrencas, hostilidades e ajudar a trazer escândalos à baila.

 

A tal da Carta teria sido enviada a um bispo e a pastores da mesma igreja, em Brasília.

 

O conteúdo da carta é bobo. Assume um ar infantil de maldade aculturada e internamente bem educada nas criancices evangélicas. Cita casos públicos e besteiras de gabinete pastoral; é farta em nomes, tenta se credenciar por meio de datas precisas, e evoca nomes e segmentos da igreja evangélica do Brasil, a fim de demonstrar intimidade.

 

O crente que lê aquilo ali, fica alarmado. Diz: "Meu Deus! O diabo está com raiva. Está invadindo a igreja. Seus adeptos estão botando escuta nos gabinetes de nossos pastores. Estamos sendo estudados. É por isso que tanta coisa ruim tem acontecido nos últimos tempos. Deve ser porque estamos vivendo a verdade. Nós incomodamos o diabo. O demônio está furioso. Ele sabe que aqui está o poder. Meus irmãos, se já éramos de Deus, agora somos ainda mais. Agora é guerra. Vamos lutar e vencer. Está amarrado!”

 

A lógica evangélica é essa. Toda perseguição gera paranóia persecutória, mas acaba se transformando em virtude, em validação da verdade da igreja. E reforça seus padrões de comportamento, pensamento, atitude, e termina por gerar mais surtos triunfalistas.

 

O interessante nessa tal Carta é a alegria dos missionários da igreja do diabo, ao afirmarem que estavam conseguindo realizar os seus intentos, tais como: semear contendas, divisões, facções, fofocas, boatos, calúnias, encrencas, hostilidades; e ajudar a trazer escândalos à baila.

 

Bem, eles devem ter chegado muito atrasados, ou podem ser processados pela própria igreja por plágio e roubo de direitos autorais. Na melhor das hipóteses, eles estão desinformados acerca da própria organização à qual dizem pertencer, pois certamente já havia outros agentes infiltrados desde o princípio, e essa leva de novos missionários ainda é baixo escalão, e não ficou sabendo.

 

A igreja evangélica, conforme é hoje, não precisa daquela organização para fazer mal a si própria. Ela realiza aquilo contra ela mesma todos os dias, em todos os lugares e há muito tempo.

Será uma pena se alguém acreditar que aquela carta é do diabo. Ela não é. Ela é da “igreja do diabo”, que é uma representação muito distante do Quartel General; é uma espécie de grupo de discípulos perdidos do mestre, pois crêem de fato que é a ação deles que gera os problemas da igreja evangélica.

São tão puros, que só sendo discípulos desse pobre diabo mesmo. Afinal, o diabo real não tem grandes expectativas em relação a eles. A grande expectativa do Bicho está em outro lugar: ele de fato espera que a igreja creia que suas mazelas nascem de ações do mal que vêm de fora dela, e deixe de se enxergar mais uma vez; veja-se perseguida até se sentir exaltada e, assim, continue a ser exatamente como ela mesma é: feia, cega, pobre, infeliz e nua.

 

Com toda reverência à verdadeira Igreja de Deus,

 

 

 

Caio