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TEXTOS > CARTAS

A BRIGA PELA IGREJA NOS DISPERSOU...

   

-----Original Message-----

From: A BRIGA PELA IGREJA NOS DISPERSOU...

To: contato@caiofabio.com

Subject: MINHA FAMILIA NÃO QUER MAIS...

 

 

 

A paz do Senhor Jesus, Pastor Caio!

 

É GRANDE, MAS LEIA... por favor.

 

Gostaria de uma orientação e tenho certeza de que o pastor pode me ajudar.

 

Pastor, vou direto ao assunto: Conheci a palavra de DEUS há oito anos em uma igreja pentecostal. Na época, essa igreja estava muito cheia e com muitos sinais e prodígios de Deus.

 

Eu estava no mundo, bebia muito, muitas lembranças sofridas da infância... Filho adotivo e vindo do mato; filho de uma família de sete irmãos, e pai assassinado; ou seja: muitos traumas...

 

Escravo do inimigo, fui crescendo. Constituí uma família...

 

Só vim a conhecer Jesus depois, e já naquela igreja. Tomei gosto pela igreja, fui consagrado a obreiro, depois diácono e depois fui a presbítero. Comecei cedo a pregar a Palavra de DEUS, dirigindo cultos de segunda a segunda; vigílias e consagrações...

 

Assim, estava eu entregue à obra de DEUS e me sentia muito cansado, mas feliz. Toda minha família estava comigo. Minha esposa se tornou Missionária e meus filhos se tornaram levitas da casa de Deus. Foram os anos de muito trabalho, mas os mais abençoados em todos os sentidos.

 

De repente o meu Pastor se envolveu com uma das dirigentes dos Jovens. Ninguém viu... Mas ela confidenciou em detalhes para minha esposa e filhas... A igreja ficou sabendo... Perseguições vieram contra o pastor... Rebeliões... Tentaram tirá-lo da frente da igreja e não conseguiram.

 

Minha família saiu da igreja. Me afastei dos trabalhos já faz três anos, e estou agarrado com todas as minhas forças... mas sinto que estou perdendo a batalha.

 

Minhas filhas estão desviadas, saíram da doutrina; meu filho só vai à igreja quando muito insisto, mesmo assim porque só tem 15 anos.

 

Pastor, o que eu faço? Estou na igreja e só vou uma vez por semana... fico no banco... não estou assumindo nenhum trabalho.

 

Busco outra igreja? Minha esposa não aceita voltar para a mesma igreja, e eu não consigo me acostumar com outra. Estou fazendo seminário de teologia. Mas sinto falta da frente de batalha da obra; sinto falta de estar na ativa.

 

Peço ao irmão que me perdoe; mas é que me sinto dentro da cisterna, e quero sair dela, e fazer somente a vontade de DEUS. Mesmo que isto não agrade a todos. Gostaria que o irmão me respondesse, porque estas palavras estão sendo sinceras; e são palavras de um pedido de socorro porque estou vendo meu mundo desmoronar.

 

Pastor, ore por mim e minha família; estou em campanha no monte, e estarei orando para que DEUS continue a abençoar o senhor perante o Seu povo.

 

Que a paz esteja com o Senhor e todos os seus.

 

___________________________________

 

Resposta:

 

 

 

Meu amado Varão de Guerra: Paz e Misericórdia sobre sua vida!

 

Primeiramente, perdão pelo atraso na resposta. É que ando atolado de cartas para responder – hoje, mais de cinco mil —, além das demais coisas que tenho para fazer. Portanto, perdoe-me a demora, ainda que eu creia que se Deus está nisto, esta carta chegará na hora certa, com toda sincronicidade.

 

Sobre sua carta, eis o que penso:

 

1.   Que você, sua esposa e família se envolveram demais na campanha contra o pastor, e perderam a batalha. Na seqüência que você ia, com a saída dele, provavelmente você seria o novo pastor. E sua esposa, a “missionária”.

 

       Mas o pastor se agarrou ao posto, e vocês e o grupo     que estava com vocês se dispersaram. Uns saíram   magoados, outros feridos, outros frustrados; e outros,     se sentindo decepcionados. E esses últimos talvez até    mais decepcionados pela briga na igreja do que pela        fraqueza do pastor.

 

2.   A figura de sua esposa me pareceu muito forte. Não me assustaria se ela tiver sido uma das partes mais ativas nessa briga. Se não foi, creia, estou expressando apenas o sentimento que sua narrativa me passou. Portanto, se assim foi, sua esposa é o “nó” a ser desatado aí, pois ela pode estar fazendo muito mal aos filhos, fazendo a manutenção da mágoa dela.

 

3.   Enfiar a família da gente nessas brigas por causa do pecado dos outros sempre faz com que as coisas acabem assim. E como você e seus filhos estavam bem na frente dos trabalhos, então eles perderam o romance pela igreja e até pela fé, visto que para os “levitas” a função no templo e Deus se misturaram, se tornando uma coisa só.

 

    Assim, de mal com a “igreja”, de mal com “Deus”; ou, para alguns, o oposto: “Se estou de mal com a ‘igreja’,   então Deus deve estar de mal comigo”. Os que pensam     assim são a maioria, os que imaginam que aquele lugar onde eles freqüentam representa Deus na Terra. Mas   suspeito que seus filhos tenham ficado meio     contaminados pela mãe, nessa briga pela liderança da    “igreja”.    

 

4.   Jovens são muito francos e claros, em geral. De fato, seus filhos se decepcionaram com o “projeto igreja” – e talvez com o projeto “igreja-família”— e decidiram que ruim por ruim, eles preferem dar uma experimentada do “lado de fora”. Isto também é normal, e geralmente acompanha esse tempo de decepção e tristeza com a “igreja”.

 

    E no caso de vocês, pode haver também uma mágoa     por acharem que se esforçaram tanto e não foram    compensados.

 

    Ou seja, meu amado irmão, a mente da gente constrói   muitas ilusões e muitos auto-enganos, que são aquelas coisas que a gente “elege” como sendo as “causas” de    nossos problemas, quando não quer ficar frente a frente     com o fato de que nós somos o problema, ou parte      importante nele.

 

5.   Muita gente que na “igreja” briga contra alguém que é considerado um “pecador” e perde, às vezes resolve, como vingança, fazer as mesmas coisas que acusa no outro. Ora, isso só acontece também como demonstração de que por trás de muita coisa que a gente acusa no próximo, existe a nossa inveja do pecado dele. Normalmente, quem sente assim, quando se sente “vencido pelo pecador”, dá para se “liberar” mais ou menos nas mesmas áreas de comportamento que antes combatia.

 

6.   Sei que sua experiência com Jesus foi dramaticamente importante para você. Muito mais para você do que para a sua família. E isso também é normal. Mas também é por esta razão que eu sinto sinceridade em você, mesmo quando também percebo que no início da confusão sua motivação não era tão boa assim; ou seja: quando a menina contou a história para sua esposa e ela espalhou na igreja.

 

    Agora, no entanto, eu sinto que a saudade bateu, e você       está redescobrindo a felicidade que era servir a Deus só   por Deus, e não pelos cargos que a gente tem na “casa       de Deus”.

 

7.   Sua reclamação por “estar no banco”, sem utilidade, eu não li apenas como a queixa pela falta de “função”, mas como saudade do ministério, ou seja, saudade da simples alegria de se sentir servindo.

 

8.   Ora, é por tudo isto que eu quero lhe dizer o seguinte:

 

8.1        Será bom para a sua alma que você procure uma outra igreja, e que fique nela bem quietinho um tempo, reeducando o seu coração, e pensando na alegria de servir a Deus só por Deus.

 

8.2        Seja um crente simples e contente. Vá aos cultos com alegria, mesmo que seja para ficar no banco. Por isso, não fique procurando posições e nem reconhecimento. Apenas sirva a Deus, dentro e fora da “igreja” com o mesmo coração; cheio de alegria.

 

8.3        Quando os seus filhos começarem a ver que Jesus para você não é um negócio e nem uma necessidade de poder ou de afirmação, então eles mesmos, talvez agora de um modo muito mais profundo, encontrarão o seu lugar outra vez na própria comunidade.

 

8.4        Para que isso seja saudável, eles terão que conhecer a Deus por eles mesmos, e não mais por causa da “igreja” ser a causa de sua vida, como pai, ou ambição da mãe.

 

8.5        E sua mulher deve seguir o mesmo caminho, com espontaneidade. Chega desse negócio de “missionária” para lá e pra cá. Isso faz mal à família e ao casamento. Os dons de Deus na nossa vida não fazem nunca nenhum mal. Mas os cargos e as funções podem secar os dons e causar uma profunda chatice na vida familiar. Portanto, se sua esposa desejar acompanhar você, estimule-a; mas nunca a obrigue. Ela também precisa ter a experiência de saber o que é ser de Deus apenas por ser de Deus.

 

8.6        E não vá para essas “igrejas” que botam o cara para trabalhar de dia e de noite, até comerem o tutano da alma do pobre coitado. De preferência, procure uma comunidade tranqüila e equilibrada, onde devagar você possa crescer, e expressar, naturalmente, os seus dons. Só que agora com muito mais maturidade.

 

Sei que tudo isto vai passar, e que você ainda vai agradecer a Deus por ter aprendido essa lição, pois verá o grande lucro espiritual que ela trará à sua alma.

 

 

 

 

 

Nele, que nos ama,

 

 

 

Caio

 

(2003 - Primeiro ano do site)